Óleo de andiroba é alternativa de renda para comunidades ribeirinhas da Amazônia

Publicado em:  2 de março de 2020

A semente de andiroba (Carapa guianensis) vem de árvores altas, de copas pequenas que estão presentes na América do Sul, Central e no Caribe. O óleo é conhecido por sua utilização contra dores de garganta, cicatrização de ferimentos e como repelente de insetos, entre outras propriedades medicinais comprovadas cientificamente pela medicina. 

"Esse óleo cura tudo" afirma dona Maria, ribeirinha. O produto também é utilizado pelas artesãs da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã na confecção dos teçumes, para embelezá-los e torna-los duradouros.

Mais do que para consumo interno, entretanto, o óleo de andiroba se apresentou como uma alternativa de renda para centenas de ribeirinhos, que tradicionalmente já extraiam o óleo da andirobeira. 

Nas indústrias, é usado como matéria-prima de produtos medicinais como unguentos, pomadas e repelentes, inclusive prescritos por médicos, e também é utilizado para produzir cosméticos como shampoo, sabonete e hidratante corporal.

No Amazonas, a importância cultural do óleo motivou o governo do estado a proibir o corte da andirobeira em 2005. Ainda não existe, entretanto, uma legislação voltada para a coleta e o transporte dos recursos não madeireiros da árvore, como as sementes. 

A Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 determina que a coleta de produtos florestais não madeireiro da andirobeira é livre, sendo importante identificar os períodos ideais para coleta e atentar para a quantidade coletada, a fim de evitar danos ao desenvolvimento e à reprodução da espécie. 

Por isso, a importância do manejo sustentável para extração dos recursos da espécie. 

Desde 2014, o Instituto Mamirauá busca melhorar a qualidade da produção do óleo de andiroba em unidades de conservação do interior do Amazonas.

O Programa de Manejo Florestal Comunitário (PMFC) do Instituto Mamirauá executou uma série de ações para viabilizar o manejo do recurso. Primeiro, foi realizado um levantamento sobre o conhecimento tradicional local. Entrevistas foram feitas em comunidades que possuíam andirobais, à procura de quem soubesse a forma tradicional de extração e pudesse ter interesse em melhorias na produção do óleo.

"Identificamos as comunidades que tinham andirobais. Então fizemos um reconhecimento de área e um inventário amostral neles", conta Emanuelle Pinto, engenheira florestal do Instituto Mamirauá, organização social fomentada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Em seguida, o PMFC escolheu 24 árvores e passou a monitorar a sua produção, instalando uma tela de 30 metros quadrados abaixo da projeção de suas copas para coletar as sementes que caíam. Assim, foi possí­vel estabelecer um calendário da coleta de sementes, que tendem a uma produção maior entre os meses de abril e junho.

"É importante que se saiba em que época a produção é maior para que se possa extrair em maior quantidade, deixando uma parte para a fauna que se alimenta da andiroba e permitindo a regeneração da floresta", explica Emanuelle.

Em 2019, o programa lançou a cartilha ‘Boas Práticas para Produção do Óleo de Andiroba’ com orientações acerca da colheita, processamento e comercialização seguindo preceitos de segurança no trabalho e manejo sustentável voltado a comunidades ribeirinhas do interior do Amazonas.

"Para que a extração do óleo e a sua comercialização não causem danos à espécie e ao ambiente, é importante construir um plano de manejo que se baseie em boas práticas de coleta das sementes, considerando a ecologia da espécie, a importância de sua regeneração natural e a dispersão de suas sementes pelos animais. Além disso, a atividade deve significar retorno econômico relevante aos extratores, de forma que suas boas práticas sejam reconhecidas e valorizadas na venda do óleo extraí­do. "

Confira a publicação neste link.

Texto: Júlia de Freitas, com contribuição de Bernardo Oliveira


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