Oficina de manejo e beneficiamento de cauaçu é realizada na Reserva Amanã, no Amazonas

Publicado em: 19 de de 2017

A erva do cauaçu é matéria-prima para o artesanato de um grupo de mulheres da região. Na oficina, essa experiência foi compartilhada com artesãs de outras partes da Amazônia

Anos atrás, o cauaçu causou uma pequena revolução na Reserva Amanã, estado do Amazonas. Dos talos dessa planta de porte grande e alongado, cientificamente conhecida como Calathea lutea, vêm a matéria-prima para os trançados das mulheres artesãs do local. O Teçume d’Amazônia, nome oficial dado ao grupo, se desenvolveu nas técnicas de manejo do cauaçu e, com o artesanato, também gera renda para famílias da região. Parte dessa experiência foi compartilhada com artesãs de outras partes da Amazônia na “Oficina de Manejo e Beneficiamento de Cauaçu”, realizada pelo Instituto Mamirauá. 

A oficina aconteceu entre os últimos dias 11 e 13 de setembro, em São João do Ipecaçu. A comunidade ribeirinha, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, sedia a casa do Teçume d’Amazônia, ponto de encontro e organização das artesãs para a confecção e venda de produtos como peneiras, tamboretes, fruteiras, balaios, lixeiras, caixinhas e jogos de mesa.

Desde a sua fundação, o grupo Teçume d’Amazônia conta com o incentivo e assessoria do Instituto Mamirauá no sentido da organização social e no estudo sobre a biologia, ecologia e o manejo do cauaçu, buscando a sustentabilidade do uso e da produção de artesanato dessa fibra.  

Intercâmbio

De acordo com a técnica do Programa de Manejo Florestal Comunitário (PMFC) do Instituto Mamirauá, Emanuelle Pinto, a oficina foi oferecida “para multiplicar o conhecimento sobre o manejo e beneficiamento do recurso do cauaçu, realizado pelas artesãs locais, promovendo ainda o intercâmbio sobre a organização e gestão do grupo de mulheres do Teçume d’Amazônia”.

A troca de experiências foi feita com mulheres artesãs do Arquipélago do Bailique e da Associação Bom Sucesso- FLOTA/FLONA Amapá, localizadas no estado do Amapá. Na programação da oficina, elas conheceram a história de formação do grupo Teçume d’Amazônia, que remonta mais de 14 anos de organização, foram até às touceiras, formações do cauaçu em natureza, e aprenderam sobre o beneficiamento da fibra e o uso de outros recursos naturais usados na produção de tinturas, caso do açafrão (para tons amarelos), anil (tons azuis e arroxeados) e crajiru (tons avermelhados).

“Para mim, a grande surpresa foi a tinta que elas (as artesãs do Teçume d’Amazônia) tiram das plantas. Eu uso tintas compradas, que desbotam com o tempo, coisa que não acontece com as naturais”, disse Maria Mira Barbosa, artesã de Bailique que também trabalha com trançados e cestarias e participou da oficina.

“O cauaçu nós não conhecíamos, mas achei demais, um material muito bom para trabalhar. Pode ser até que a gente tenha lá perto das nossas comunidades, mas não sabemos ainda, vamos procurar”, afirma Arlete Leal, uma das representantes da Associação Bom Sucesso, grupo de artesãos que produz itens como sabonetes de copaíba e velas repelentes de andiroba.

Além das novidades nos fazeres do artesanato, Arlete leva da oficina o reconhecimento de uma luta em comum. “A gente percebe que as lutas e dificuldades nas nossas comunidades são as mesmas que as delas aqui no Amazonas”.

Oficina

A Oficina de Manejo e Beneficiamento de Cauaçu é uma realização do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Essa atividade contou com o financiamento da Fundação Gordon and Betty Moore.

Texto: João Cunha

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