Imagens inéditas revelam uso de ferramentas para predação de ninhos de jacarés por macacos-prego

Publicado em: 11 de novembro de 2015

De 09 a 13 de novembro, Manaus sedia o 16º Congresso Brasileiro de Primatologia. Ontem, pesquisadores do Instituto Mamirauá apresentaram o registro inédito de dois macacos-prego predando ninhos de jacarés, porém fazendo o uso de ferramentas. O registro foi possível por meio do uso de armadilhas fotográficas instaladas em pontos da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, para monitoramento dos ninhos e identificação dos predadores. 
 
“O registro do uso de ferramentas por macacos-prego na abertura de ninho de jacaré-açu na Amazônia é inédito na literatura. Isso sugere que macacos-prego de vida livre que ocorrem em habitats fechados, tal como os da floresta Amazônica, também possuem capacidade cognitiva para resolver problemas durante a busca por alimentos”, afirmou Kelly Torralvo, pesquisadora associada do Instituto Mamirauá e uma das autoras do estudo. 
 
Entre outubro e dezembro de 2014, foram monitorados 63 ninhos de jacaré-açu na Reserva Mamirauá, estado do Amazonas. Um único registro de uso de ferramenta foi observado durante um evento de predação, realizado por dois macacos, em outubro. Na ocasião, 18 minutos após ter chegado ao ninho, um macho adulto utilizou um graveto para abrir o ninho e acessar à câmara. Tendo feito isso, os macacos retiraram os ovos e saíram da cena monitorada. 

 
Fêmeas de jacaré-açu constroem seus ninhos em forma de montes compactos de folhas e gravetos, medindo cerca de 70 cm de altura e 150 cm de diâmetro. Em um evento de predação, a abertura do ninho é a primeira etapa para acessar o local onde os ovos ficam depositados. Na Amazônia, os ninhos de jacarés são frequentemente predados por onças, lagartos, homem e macacos, que utilizam os ovos como recurso alimentar. 
 
Segundo os pesquisadores, muitos estudos descreveram o uso de ferramentas por macacos-prego, embora a maior parte dos registros sejam de espécies que ocorrem em ambientes abertos, tal como o cerrado e a caatinga. Nesse trabalho, apresenta-se o primeiro registro de uso de ferramenta por Sapajus macrocephalus de vida livre, em uma floresta de várzea, na Amazônia Central. 
 
Edição: Eunice Venturi
 

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