Em curso, Instituto Mamirauá compartilha experiência do manejo de pirarucu na Amazônia

Publicado em:  6 de maio de 2019

O manejo sustentável do pirarucu (Arapaima gigas) é um dos trabalhos de maior destaque do Instituto Mamirauá. Aliando conhecimento científico e tradicional, pesquisadores da organização e comunitários elaboraram um plano de manejo que permitiu recuperação populacional da espécie em risco a garantiu a manutenção da cultura dos povos ribeirinhos na região do Médio Solimões, na Amazônia Central.

Aconteceu em Tefé, no Amazonas, entre os dias 16 e 26 de abril, o Curso de Multiplicadores de Manejo de Pirarucu. O objetivo é compartilhar a experiência do Instituto Mamirauá nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã com entidades interessadas em realizar o manejo da espécie em outras regiões. 

As temáticas do curso “Gestão Compartilhada dos Recursos Pesqueiros com foco no Manejo Participativo de Pirarucu (Arapaima gigas) em ambientes de várzea” foram sete: organização, zoneamento, proteção, contagem, pesca, venda e avaliação. Cada dia do evento foi dedicado a um dos temas. “O principal intuito do curso é repassar algumas expertises do manejo do pirarucu em ambientes de várzea, onde desenvolvemos nossas atividades”, explica Jonas Alves, técnico do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá. Os participantes, então, adaptam os aprendizados para as respectivas regiões, de diferentes ecossistemas. 

A programação incluiu estudos das bases antropológicas e sociológicas sobre o modo de vida das populações rurais da Amazônia; fundamentos da biologia e ecologia do pirarucu e a importância da várzea para a produtividade pesqueira; princípios e diretrizes do zoneamento para o manejo; e o desenvolvimento do método de contagem do pirarucu.

Do dia 21 ao dia 24, as atividades foram realizadas na Comunidade Jarauá, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Responsáveis pelo desenvolvimento do método científico de contagem da espécie junto ao instituto, pescadores da comunidade compartilharam histórias sobre o desenvolvimento do Plano de Manejo e ensinaram aos participantes processos da contagem em oficinas práticas. 

O exemplo do pirarucu na elaboração de outros manejos

De acordo com Jonas, há um grande interesse dos participantes em entender a parte organizacional do plano de manejo junto às comunidades.  “Como foi a demanda das comunidades, qual processo organizacional foi repassado para que se estabelecesse o Plano de Manejo Sustentável do Pirarucu e como foi a preparação das comunidades e o gerenciamento desse manejo são temas importantes”, conta. 

A relação entre técnicos e comunitários, a pesquisa científica na Amazônia e o contato com as comunidades são conhecimentos que servem de base para qualquer tipo de manejo sustentável, não só da pesca.

As oficinas contaram com a participação de representantes de 14 entidades, entre elas, prefeituras de municípios do Amazonas. “O principal critério são pessoas que trabalham ou pretendem trabalhar com assistência técnica de grupos no manejo do pirarucu nas áreas protegidas da Amazônia. A gente também procura atender grupos não atingidos nas edições anteriores para maior divulgação desse conhecimento”, diz o técnico. 

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá é uma organização social fomentada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC). O curso “Gestão Compartilhada dos Recursos Pesqueiros com foco no Manejo Participativo de Pirarucu (Arapaima gigas) em ambientes de várzea” foi possível com o apoio da Fundação Gordon e Betty Moore. 

Texto: Júlia de Freitas


Arquivo/Programa Manejo de Pesca
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