Compartilhando conhecimentos de Sistemas Agroflorestais

Publicado em: 25 de novembro de 2014

A agricultura é uma atividade recorrente na Amazônia. A troca de experiência entre agricultores, experimentando e compartilhando conhecimentos tradicionais, aponta para interessantes práticas de manejo. Com este intuito, aconteceu de 14 a 16 de novembro a Oficina de Multiplicadores de Conhecimentos em Sistemas Agroflorestais (SAF).

Promovida pelo Instituto Mamirauá em parceria com o Instituto Piagaçu, a oficina reuniu agricultores e técnicos na Reserva Piagaçu-Purus. "Foi criado um espaço rico para troca de experiência e construção de saberes com técnicas diferenciadas de manejo agroflorestal", conta Samis Vieira, Técnico do Instituto Mamirauá.

No primeiro dia, o grupo discutiu conceitos importantes: "O SAF se baseia em princípios de uso sustentável do solo, diversificação produtiva e colheita ao longo do ano, mas não existe uma receita pronta, existem princípios que guiam o trabalho", afirma Samis. Depois, planejaram o plantio de uma horta agroflorestal.  Dois tipos de canteiro foram construídos: leiras e núcleos redondos. Para adubação, foram usados recursos disponíveis, como caroços de açaí, cinza e resto de folhas.

Antes do plantio o grupo conversa sobre suas práticas, compartilhando diferentes experiências e trocando informações. As sementes utilizadas foram trazidas pelos agricultores da Reserva Amanã, o que ajuda a fortalecer uma rede de troca e estimular o uso de técnicas de armazenagem e conservação de sementes nativas.

Nos canteiros, bananeiras cortadas ao meio formam um contorno para as mudas e sementes, mantendo a umidade e proporcionando adubação contínua. O resultado foi uma horta farta: coentro, cebolinha, chicória, maxixe, jerimum, taioba, batata doce, plantas medicinais, melancia, abacaxi e, claro, mandioca. "Quando criamos estes momentos, fortalecemos práticas de manejo. Mediamos estas ações, mas os atores principais são os agricultores", concluiu Samis. 

Esta foi a segunda oficina realizada em 2014. A primeira, em maio, reuniu na Reserva Amanã ribeirinhos, quilombolas e indígenas de várias regiões da Amazônia. Estas ações fazem parte do projeto “Participação e Sustentabilidade: o Uso Adequado da Biodiversidade e a Redução das Emissões de Carbono nas Florestas da Amazônia Central” –BioREC – desenvolvido pelo Instituto Mamirauá com financiamento do Fundo Amazônia

.Por Vanessa Eyng

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