Instituto Mamirauá - Conservação na Amazônia - Maria Erly das Chagas de Oliveira - https://www.mamiraua.org.br/pt-br/reservas/lideres/maria-erly-das-chagas-de-oliveira/

Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

Reservas

Rafael Forte

Maria Erly das Chagas de Oliveira

Agricultora e artesã

Maria Erly das Chagas de Oliveira é agricultora, artesã e mora na Comunidade São João do Ipecaçu, na Reserva Amanã. É uma entusiasta ao falar das melhorias que vieram para as comunidades, com a criação da reserva. Agora, ela vivencia as mudanças que os sistemas agroflorestais estão trazendo, como uma nova forma de produção, sem necessidade de uso do fogo.

O que a senhora acompanhou dessa mudança da reserva, como era antes?
Ah! Mudou muita coisa!  Antes da reserva, o peixe foi acabando. Não tinha mais peixe! Tambaqui, a gente não via mais, pirapitinga... Mas, com a criação da reserva melhorou, melhorou muito. Voltou a ter fartura de peixe. Aí, teve o manejo do pirarucu, tambaqui... Todas as pessoas, além de serem agricultores, eram pescadores também, e pescavam e trabalhavam na agricultura. Aí, nós começamos a pegar peixe de malhadeira, caniço... Os tambaquis voltaram de novo, as pirapitingas.... Há uma época que fica difícil de peixe, mas é em todo lugar. Mas, que tem peixe, agora, tem peixe!

A senhora teve alguma instrução?
Sim. Eu estudava quando era menina, mas tinha uma aula muito precária. Acho que a gente teve uma deficiência muito grande nos nossos estudos. Aí, depois que eu me casei, já com os filhos todos grandes, eles não queriam muito saber de estudar, aí me matriculei de novo para estudar. Eu com meu marido. A gente estudou para levar os filhos para a escola. Para estar junto com eles, que são sete. Então, nós fizemos até a oitava série, e terminamos. Depois fizemos o ensino médio e terminamos também, meus filhos, meu marido e eu.

 

E qual é a atividade para gerar renda para vocês?
A nossa é agricultura, artesanato e pesca.

Em que momento a senhora conheceu o Instituto Mamirauá?
Desde a criação da reserva, eu participei das reuniões desde o início. Porque eu já tinha incentivo da prelazia, pois já tinham chamado o irmão Falco. Ele já tinha experiências em outras comunidades, antes dele morrer. Ele passava isso para gente nas comunidades e eu acreditava que eu podia ver a preservação e que o peixe ia se multiplicar de novo.

A senhora participou dos cursos de sistemas agroflorestais?
Foram vários cursos dentro do SAF (Sistemas Agroflorestais). Eu aprendi muita coisa que ainda não tive como repassar para todas as pessoas, mas para mim foi muito bom receber todas essas capacitações. O que eu aprendi, mesmo, foi como trabalhar na agricultura sem o fogo. Isso para mim está sendo muito bom, muito legal mesmo. Porque a gente desacreditava disso. Para nós até no início do curso, a banana só dava na base do fogo, que é aquele monte de lenha que a gente faz e aí toca fogo. Aí, depois planta. O moço que dava a capacitação para nós, dizia: “Não! Vamos experimentar!”. Aí, fizemos o roçado do experimento. Agora, em agosto, vai fazer um ano, porque fica na Boa Esperança, um dos roçados do experimento, e o outro é o meu. Em fevereiro, a gente fez um roçado na minha área e a banana está muito bonita. 

 
 

 

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