Instituto Mamirauá - Conservação na Amazônia - Ednelza Martins da Silva - https://www.mamiraua.org.br/pt-br/reservas/lideres/ednelza-martins-da-silva/

Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

Reservas

Rafael Forte

Ednelza Martins da Silva

Gerente da Pousada Flutuante Uacari

Ednelza Martins da Silva é moradora da Comunidade Vila Alencar, onde nasceu, na Reserva Mamirauá. Na juventude, vivenciou as mudanças que a transformação da área, em unidade de conservação, trouxe: conservação da biodiversidade, mas, principalmente, “conservação do ambiente onde a gente vive”, disse, ela, durante a gravação de seu depoimento para o vídeo “Líderes da Conservação”. Acompanhe, abaixo, os principais trechos da entrevista de Ednelza.

Ednelza, qual é a sua formação?
Eu estudei até o terceiro ano do ensino fundamental, eu digo que não foram 50% de aprendizado porque eu não conseguia trabalhar e estudar ao mesmo tempo, mas terminei.

Como você avalia essa criação da reserva, o que você acha que mudou?
Eu acho que mudou o envolvimento da comunidade, a organização da comunidade, o modo de trabalhar com a organização comunitária através das capacitações, a comunicação, a questão de buscar recursos e se organizar, que começou a mudar do início da reserva que era só a comunidade ali se reunindo, cada um indo para sua roça, conversando um vizinho com o outro no final da tarde. Com a criação da reserva, com a entrada das pesquisas do Mamirauá, porque foi praticamente a primeira comunidade a receber estas pesquisas de família, educação ambiental e começamos a receber gente dentro da comunidade e foi envolvendo a cabeça dos comunitários através das capacitações trazendo coisas novas para a comunidade, criou-se uma luz assim dentro da comunidade.

Como começou o seu envolvimento comunitário?
Antes eu trabalhava na igreja participando das organizações da igreja e da prelazia com participação no culto e encontro. Depois comecei a me envolver com grupos de mulheres, daí foi fundado o grupo de mulheres e começamos a trabalhar o artesanato na comunidade.

O artesanato foi o primeiro trabalho do grupo de mulheres?
Primeiro nós trabalhamos com hortaliças, foi o trabalho com horta, plantio de cebola, de legumes em geral, aí depois que a gente passou a trabalhar com artesanato.

O que você acompanhou da história do Mamirauá, o que você sabe?
A primeira pessoa que eu tive contato foi o Marcio Aires que teve lá na comunidade com a pesquisa do macaco, depois na pousada, essas são as lembranças, e eu observava como era a liderança dele para poder liderar o grupo de mulheres.

Desde quando você está trabalhando na pousada?
Desde 2001,  eu passei a substituir a governanta em alguns períodos de folga, às vezes também substituía o gerente, aí comecei a me envolver com a gerência nessas substituições, então desde novembro de 2007 que eu estou na gerência.

Quais são as suas responsabilidades como gerente?
São três setores de gerenciamento dentro da pousada, setor de manutenção, lazer e hospedagem, então a minha rotina dentro da pousada é coordenar esses setores, a segunda parte é a prestação de conta das finanças que entram na pousada, prestação de conta de venda de produto, de trabalhadores no cálculo de quanto vai precisar por mês, então essa é a minha rotina, durante o dia tenho que rondar todos esses setores, organizando a parte de recepção que vai receber as visitas que chegam por “pacote”. Dando uma olhada geral de como está funcionando e recepcionando os turistas.

O que você acha que mudou com a instalação da pousada?
Foi a própria alternativa econômica que não tinha e não tem em nenhum dos outros setores do Mamirauá, isso é um ponto bem positivo que eu sempre coloco para as pessoas que estão trabalhando ali, nós temos que agradecer pela oportunidade, porque os outros setores não têm essa sorte de mostrar a floresta, o meio ambiente ali preservado e ainda ganhar dinheiro.

O que você acha hoje desse trabalho do Instituto Mamirauá?
O instituto continua fazendo um bom trabalho. O que eu vejo e sinto é que o instituto quer que o comunitário ande com seus próprios pés, ele traz o ensinamento para que andem com seus próprios pés, para saber como é que se lida com recurso natural ao nosso redor para saber como é que é tirar de lá o nosso pão de cada dia para cada família ou comunidade, e é isso que eu vejo que o instituto ainda está fazendo.

O que você sabe dessas atividades de pesquisa que o Mamirauá desenvolve?
A pesquisa é para ver o que dá certo para poder implantar aqui e em todas as comunidades, como os banheiros secos da pousada.

Qual é o seu sonho?
Estudar. Eu quero continuar estudando para me aprofundar nos cursos, pois isso ainda é uma dificuldade muito grande para mim como liderança para poder organizar bem os relatórios e ter minhas próprias ideias, então o meu sonho é estudar para fazer melhor o que eu já faço hoje no papel de liderança.

 

Financiadores