Instituto Mamirauá - Conservação na Amazônia - Dorotéia Cavalcante Martins - https://www.mamiraua.org.br/pt-br/reservas/lideres/doroteia-cavalcante-martins/

Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

Reservas

Rafael Forte

Dorotéia Cavalcante Martins

Sistema de Abastecimento de Água

Dorotéia é uma das pessoas da Comunidade Boca do Mamirauá a vivenciar as mudanças na rotina de todos que vieram com a implantação do Sistema de Abastecimento de Água. Antes, eles precisavam ir ao encontro do rio para buscar água. Agora, a água vem ao encontro deles graças ao sistema de captação de água do rio alimentado com energia solar. A água é bombeada para um reservatório elevado e recebe um pré-tratamento, antes de chegar aos domicílios. A ideia é que o experimento possa ser replicado pelo governo dos municípios, responsáveis pelos serviços de abastecimento de água.

Qual é a sua formação, Dorotéia?
Passei quatorze anos sem estudar, devido aos meus filhos porque eu não conseguia estudar com meus filhos. Aí, depois eles cresceram e consegui estudar de novo. Já com trinta e cinco anos, comecei a estudar. Terminei meu ensino médio com quarenta anos. Então, acho que eu consegui graças a Deus, com muito esforço.

Como você conheceu o Instituto Mamirauá?
Eu tinha dezessete anos quando eu comecei a trabalhar com o Mamirauá. Eu viajava muito. Viajei uns cinco anos com o Mamirauá. Trabalhei muito com o pessoal do Programa Qualidade de Vida e da Educação Ambiental. Eu não trabalhava como agente de saúde, mas como representante de um grupo mirim da comunidade. Então, desde lá, o instituto me deu muito apoio nesse tempo em que a gente trabalhava voluntariamente. Eu trabalhava porque eu gostava do meu trabalho. Como representante de um grupo de agente mirim , eu fazia isso com as crianças. Depois disso, fui fazendo curso de capacitação para agente comunitário de saúde. E, hoje, tenho sete anos de trabalho como agente de saúde.

O que você acha que mudou na comunidade com o sistema abastecimento de água?
Isso foi uma coisa muito boa, porque eles fizeram devido à prevenção, à diarreia, à verminose, não é? Traz muito problema de desidratação se a água não for tratada. Isso foi um trabalho muito bom com o instituto, ajudou nossa comunidade a prevenir doenças e a ter um cuidado para gente tomar com essa água. Então, isso foi muito bom.

Que resultado você vê disso?
Teve melhoria porque a gente via, aqui e acolá, as crianças doentes, que viviam sempre com aquela diarreia, com dor de barriga. Então, depois disso, a gente não vê mais nem ouve as pessoas reclamarem. Onde eu visito, vejo que não houve mais esse problema.

Como foi a implantação do sistema?
Todos aceitaram porque na época da seca, como agora, nós vamos ficar sem ela, pois é muito difícil água por aqui, e ficamos mesmo empoçados no lago e é muito difícil. Então, para toda a comunidade não teve nenhum problema. Eles gostaram, aceitaram devido a essa dificuldade mesmo. A gente vê que a terra é baixa, mas no tempo da seca, ela fica alta e, para carregar água para cima, é difícil. Mesmo aqui, é muito difícil. Mas, depois, eles deram muito apoio devido a isso e a dificuldade, por causa da seca. Na seca, ficamos aqui com muita dificuldade por causa da falta de água.

Qual é o seu grande sonho de vida? O que você quer? O que você sonha?
Ah, o meu sonho é cada vez melhorar nossa comunidade, a nossa população. Eu não penso só em mim, penso em todo mundo porque sou uma liderança. Fico preocupada não só conosco, mas com todo mundo. Então, penso em melhorar. Porque é daqui que vivemos, é daqui que temos o nosso direito de viver como comunitários.

 

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