Instituto Mamirauá - Conservação na Amazônia - Alcione Martins Meireles Rodrigues - https://www.mamiraua.org.br/pt-br/reservas/lideres/alcione-martins-meireles-rodrigues/

Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

Reservas

Rafael Forte

Alcione Martins Meireles Rodrigues

Presidente da Associação dos Moradores e Usuários da Reserva Mamirauá Antônio Martins (Amurmam)

Alcione Martins Meireles Rodrigues é formado em Teologia, pela Prelazia de Tefé, e seu histórico de liderança, na organização comunitária, começou bem cedo, com a coordenação de um setor, a divisão política das comunidades da reserva. Ele é morador da Comunidade Nossa Senhora de Fátima, na Reserva Mamirauá e, desde 2012, é presidente da Associação dos Moradores e Usuários da Reserva Mamirauá Antônio Martins (Amurmam). Acompanhe trechos da entrevista feita com ele para a campanha “Líderes da Conservação”.

Alcione, onde você nasceu?
Eu nasci na comunidade chamada Coadina, Uarini, depois minha família mudou-se para outra comunidade, pois nós morávamos na várzea e todo ano é uma renovação, meus pais tinham a necessidade de plantar e não tinha de onde colher e por esse motivo mudamos para terra firme. Morava lá há 26 anos, hoje estou com 36.

Além da formação em Teologia, o que você fez?
Eu já fiz o primeiro período de Letras, dois períodos de Direito... Sempre começava e nunca terminava. Agora estou fazendo Políticas Públicas, estou estudando agora, à distância, pela Universidade Católica de Brasília.

Como foi essa sua caminhada até a presidência da Amurmam, o que você fazia antes?
Sempre trabalhei em organização comunitária. Sempre participei dos movimentos e, passei por um período dentro da unidade, foi quando me convidaram para representar o setor. Comecei a representar treze comunidades. Comecei um trabalho muito difícil, que eu não achava que iria ter muito futuro, mas depois eu vi pelas formações que a gente estava recebendo, pois o próprio Instituto Mamirauá estava formando as pessoas juntamente com a Prelazia de Tefé. Então, depois que a gente começou a trabalhar e começou a ver essa questão da parceria e que nós não estávamos sozinhos no trabalho com as comunidades, pois havia a instituição e também as pessoas... O mais importante da caminhada foi fazer amizade dentro da instituição, com as pessoas, se aproximar delas.

Quais passos que você considera importantes nesse processo de liderança?
Os passos seriam o conhecimento e as informações. O conhecimento porque primeiro você tem que aprender o que é comunidade, o que é morar ali dentro de uma unidade de conservação. Além de tudo isso, ainda há as normas, seu direito de viver e os deveres que você tem. Então, às vezes, muitas pessoas acham que têm que buscar primeiro os direitos porque os nossos deveres só depois são conseguidos. Na realidade são passos que têm que ser dados juntos, direitos e deveres. Então, a gente viu isso com a formação da unidade, a gente viu que para as pessoas que não participavam e não estavam ali, que muitas coisas iriam acabar e, na realidade, estava se acabando porque eles não compreendiam como utilizar os recursos.

Isso foi um sonho que você realizou?
Não era um sonho que eu tinha porque sempre trabalhei como presidente de comunidade. Aí, eu tinha dificuldade de colocar na minha cabeça como que eu faria vinte sócios entenderem o andamento, e como que eu vou fazer cinco mil pessoas, que é o total de sócios da Amurmam hoje, então, pensamos como faremos para conseguir isso! E só mesmo atrás de parcerias e eu vejo que a gente deu um passo muito grande quando a gente firmou essa parceria com o Instituto Mamirauá. E já era parceiro há muito tempo, desde o início do Instituto Mamirauá. Ele sempre foi nosso parceiro desde o começo, dando formação com capacitações para conselheiros, capacitação para diretores de associações de associativismo. O Mamirauá fretava um barco e ia todo mundo junto e onde era mais próximo, a gente se reunia. Era uma semana no curso de preparação. Então, a gente viu a dificuldade de longe. A gente viu o caminho, que tem soluções porque hoje são algumas instituições que nos procuram realmente. Muito tranquilo até para criticar o outro porque é sempre assim. Temos um dizer na associação que é assim: “As pessoas só jogam pedra na árvore quando ela dá fruto, e quando não dá, ninguém joga pedra nela”. Todo mundo deixa ela para lá. As árvores que mais dão fruto são as mais apedrejadas.

Que resultados você elege como os maiores benefícios da atuação do Instituto Mamirauá para as comunidades?
Eu acredito que foi a formação, e que já são mais de três mil pessoas formadas. Em segundo lugar, a comunicação. Essa comunicação de você vir aqui e falar, ter essa oportunidade, na questão da base de polo, base dentro da unidade de setor, pois todo setor tem um polo e uma base. Então, isso melhorou bastante porque era muito difícil antes. A instituição era distante das comunidades e a questão da comunicação melhorou bastante. Uma das coisas que melhorou bastante também para as comunidades, foi a questão da rádio comunitária.

O que você espera daqui por diante no trabalho com o Instituto Mamirauá?
Com essa parceria, com esse trabalho de associação, e quando a gente fala em associação a gente fala como um todo, e todo mundo está inserido na associação, a gente fala que isso vai melhorar bastante nosso trabalho. O que esperamos é melhorar nossa atividade e aumentar nosso recurso natural, que é uma tentativa de todo mundo e também melhorar a comunicação entre a comunidade e as instituições, colocando as coisas de forma mais clara. Acredito que para melhorar, temos que pensar juntos - instituição, comunidade e comunitário.

 

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