Instituto Mamirauá - Conservação na Amazônia - Trabalho de pesquisador do Instituto Mamirauá com macaco uacari recebe prêmio em congresso internacional - https://www.mamiraua.org.br/pt-br/comunicacao/noticias/2018/8/30/trabalho-de-pesquisador-do-instituto-mamiraua-com-macaco-uacari-recebe-premio-em-congresso-internacional/

Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

Notícias

Rafael Forte

Trabalho de pesquisador do Instituto Mamirauá com macaco uacari recebe prêmio em congresso internacional

30/08/2018


Premiação aconteceu no XXVII Congresso da Sociedade Internacional de Primatologia, no Quênia. Estudo do primatólogo Felipe Ennes apresenta hipótese do centro de origem e expansão dos uacaris

Donos de corpos peludos e caudas curtas, os uacaris chamam atenção pelo visual. Habitantes de porções da Amazônia, ainda pouco se sabe sobre esse gênero de macaco, conhecido cientificamente como Cacajao. Um estudo recente conduzido por Felipe Ennes, pesquisador associado do Instituto Mamirauá, traz novas perspectivas sobre a gênese desses curiosos primatas. O trabalho foi premiado com menção honrosa no XXVII Congresso da Sociedade Internacional de Primatologia, realizado em Nairóbi, Quênia, entre 19 e 25 de agosto.

Intitulada “A first appraisal of the biogeography and evolutionary history of uakaris, genus Cacajao Lesson, 1840”, a pesquisa apresenta uma hipótese do centro de origem e expansão dos uacaris, usando ferramentas da biologia molecular.

De acordo com as investigações científicas, esse lugar estaria nas matas de várzea da região de Mamirauá, no centro do estado do Amazonas. Ambientes que alagam durante parte do ano, seguindo a enchente dos rios, as várzeas seriam o ponto de partida de todo o gênero Cacajao, há milhões de anos, para depois se expandirem em três frentes.

“O gênero Cacajao divergiu de Chiropotes (gênero de primatas que inclui os macacos cuxiús) há cerca de 7 milhões de anos. Enquanto os cuxiús ocuparam áreas de terra-firme, os uacaris começaram o processo de diversificação há cerca de 3.6 milhões de anos em áreas que incluem florestas alagadas (igapó e várzea)”, ressalta Felipe Ennes, que atualmente faz doutorado sobre o tema na Universidade de Salford, Inglaterra.

“Este cenário mostra uma possível influência da drenagem do Lago Pebas no processo de evolução dos uacaris, algo que tem sido encontrado para outras linhagens de vertebrados que estão associadas a áreas alagadas”, complementa. 

O artigo premiado foi feito em parceria com o pesquisador Jean P. Boubli da Universidade de Salford. Para a realização da pesquisa, amostras de uacari foram coletadas em expedições científicas com apoio do ICMBio e da Fundação Gordon and Betty Moore.

O Instituto Mamirauá é uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e por anos tem estudado a ocorrência, ecologia e biologia de espécies de macacos uacari. Felipe Ennes atualmente é bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Sobre o congresso

O Congresso Internacional da Sociedade Internacional de Primatologia (IPS) é um dos maiores eventos em estudos de primatas no planeta. Realizado a cada dois anos, o congresso está em sua 27ª edição, com foco em discussões sobre a biologia e a ecologia de espécies de macacos e a conservação dos primatas.

Na programação do evento, a pesquisa com uacaris foi apresentada dentro do simpósio “Primate Genetics and Genomics”, organizado pela pesquisadora Dra. Jessica Lynch-Alfaro. Saiba mais.

Texto: João Cunha

 

Financiadores