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Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

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Rafael Forte

Instituto Mamirauá realiza soltura de filhotes de tartarugas na Amazônia

19/12/2018


Centenas de tartarugas-da-amazônia, iaçás e tracajás foram soltas no início desse mês na praia do Horizonte, no interior da Reserva Mamirauá (AM). Crianças de comunidades locais participaram da atividade de conservação ambiental

A temporada de nascimento de tartarugas na praia do Horizonte, no estado do Amazonas, vive plena atividade e dá sinais de estar longe do fim. Entre o final de novembro e o começo desse mês, centenas de filhotes das espécies tracajá, iaçá e tartaruga-da-amazônia saíram dos ninhos rumo às águas do rio Solimões. O Instituto Mamirauá, em parceria com moradores locais, realiza anualmente o monitoramento e a soltura dos quelônios. Em 2018, a taxa geral de ninhos e nascimentos foi superior às últimas contagens registradas no local.

“Até o momento, registramos um aumento expressivo no número de ninhos, em especial de tartarugas-da-amazônia e de tracajás, comparado a anos anteriores”, conta Marina Secco, pesquisadora do Instituto Mamirauá. Marina cita como exemplo os ninhos de tracajá que, em 2016, foram contabilizados em um total de 15; em 2018, já foram registrados 43 ninhos da mesma espécie. “Isso não quer dizer necessariamente que o número de animais está aumentando, é possível que as condições do rio e da praia tenham favorecido essas espécies a desovarem mais”, considera.

Foi um ano atípico nessa porção da Amazônia, onde o regime de cheias e secas do Rio Solimões dita mudanças drásticas no ambiente.  “Na época em que o rio deveria estar secando de maneira mais rápida (entre agosto e setembro), ele ainda estava cheio. E, de repente, a seca aconteceu”, relata a pesquisadora, que faz parte do Programa de Pesquisa em Manejo e Conservação de Quelônios do instituto. “Por conta disso, esse ano não houve muitas desovas de iaçás, o tempo que elas tiveram foi muito curto”, relata. “As tartarugas-da-amazônia, por outro lado, começaram a desovar mais cedo e acabaram mais tarde. Inclusive ainda está ocorrendo a desova delas, o que não deveria acontecer”.

“Vimos muitos ninhos predados de tracajás. Particularmente uma área da praia perto do poço, onde as pessoas entram muito clandestinamente pra pegar os bichos. Todos os ninhos foram predados e a maioria era de tracajá”.

De olho nos filhotes de quelônios

Desde o mês de julho, a praia é monitorada continuamente. Em agosto, tem início a reprodução de tartarugas. Pesquisadores e comunitários se alternam na tarefa diária de percorrer a faixa arenosa de atuais nove quilômetros de extensão à procura de pontos de desova. Feita a identificação, placas de metal são enterradas na areia próximo aos ninhos, para facilitar futuras localizações (que são feitas com o auxílio de detectores de metais).

De acordo com o período de eclosão dos ovos de cada espécie (um filhote de iaçá, por exemplo, leva cerca de 60 dias para sair do ninho), a equipe volta aos ninhos e monta telas de proteção em volta deles. Revisões cotidianas são realizadas em cada ninho até o nascimento dos jovens quelônios.

“Quando os filhotes nascem, a tela é retirada, e contamos o número de tartarugas por ninho. Também são medidas a profundidade e a distância de cada ninho até à água, além de coletas de amostras de areia, que serão comparadas com outras amostras de pontos de não desova, para analisar diferenças estruturais que podem indicar a preferência dos quelônios na reprodução”.

Antes de serem soltos, os filhotes também são medidos, fotografados e passam por testes de mobilidade no Flutuante Horizonte, base de pesquisa do Instituto Mamirauá na região. Enfim, chega o momento da soltura, que reúne parte dos habitantes da comunidade Horizonte, vizinha à praia. “Quando tem bastante filhotinho, como está sendo em 2018, convidamos as crianças da comunidade para ajudar na soltura também, elas adoram”, conta Marina Secco.

Veja abaixo imagens da soltura:

Pela conservação de quelônios na Amazônia

O Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios do Instituto Mamirauá desenvolve pesquisas sobre a biologia e ecologia de quelônios amazônicos na região do médio rio Solimões, focando principalmente em três espécies: a tartaruga-da-Amazônia, o tracajá e a iaçá. O programa trabalha também com a participação das comunidades tradicionais na conservação dessas espécies que são consideradas ameaçadas de extinção.

O Instituto Mamirauá é uma unidade do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). As ações para conservação de quelônios feitas pelo instituto também contam com recursos da Disney Conservation Fund e da Rufford Foundation.

Texto: João Cunha

 

 

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