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Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

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Rafael Forte

Curso do Instituto Mamirauá incentiva a pesca legal e racional do pirarucu na Amazônia

28/04/2017


Sétima edição do curso de multiplicadores em manejo de pesca de pirarucu atraiu técnicos e especialistas em toda a Amazônia Brasileira.

Boa parte do Norte do Brasil está representado na 7ª edição do “Curso de Multiplicadores em Gestão Compartilhada de Recursos Pesqueiros com foco no Manejo Participativo de Pirarucus” do Instituto Mamirauá. O curso encerra hoje (28) reunindo, em Tefé (AM), pessoas do Acre, Amapá, Tocantins, Pará, além do estado anfitrião, Amazonas. Mais do que a região geográfica, eles têm em comum o projeto de incentivar a pesca do pirarucu que seja legal, sustentável e em equilíbrio com o meio ambiente na Amazônia. Em outras palavras, promover o manejo de pesca.

Experiente no assunto e, em especial, na assessoria à pesca manejada do pirarucu, o Instituto Mamirauá oferece o curso desde 2008. “No curso, apresentamos ferramentas e metodologias para que os participantes as adequem aos contextos locais e trabalhem o manejo”, diz Ana Cláudia Torres, coordenadora do Programa de Manejo de Pesca (PMP) do instituto. “Tudo considerando as especificidades e também o próprio mercado consumidor do pirarucu manejado em cada região”.

Ana Cláudia destaca a participação no curso de representantes do governo como importante porque “apesar da proporção que a atividade alcançou nos últimos, o manejo de pirarucu ainda carece de olhos atentos do poder público”. Segundo dados encaminhados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), em 2016, 480 toneladas de pirarucu foram manejadas somente nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Amanã e Mamirauá. Nesse período, a atividade mobilizou 1.336 pescadores de comunidades ribeirinhas da região. 

Muito além da pesca

O perfil dos 25 inscritos no curso de multiplicadores esse ano é de profissionais que fazem assessoria técnica em áreas onde o manejo do pirarucu já está em atividade, em busca de aperfeiçoamento. Eles participaram de onze dias de uma programação teórica e prática que apresentou a metodologia desenvolvida pelo Instituto Mamirauá para o manejo do pirarucu.

O Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), classifica sete ações prioritárias para esse tipo de manejo: organizar, zonear, proteger, contar, pescar, vender e avaliar. Dentro dessas ações, os participantes viram assuntos como os fundamentos da a biologia e ecologia do pirarucu e  bases antropológicas sobre modo de vida das populações ribeirinhas. O grupo também visitou associações e grupos de pescadores na Reserva Mamirauá, Amazonas, para conhecer o manejo pela visão de quem o faz na prática. “O manejo do pirarucu vai muito além da pesca e da comercialização, existem várias outras etapas que, se forem negligenciadas, podem comprometer toda a credibilidade do manejo”, explica Ana Cláudia.

Experiências compartilhadas

Onivaldo Rocha veio de Tocantins para participar do curso. Por meio da Cooperativa de Trabalho Prestação de Serviços Assistência Técnica e Extensão Rural (Coopter-TO), ele assessora o manejo do pirarucu nos municípios de Araguacema e Couto de Magalhães, no Médio Araguaia. Um processo em início mas que já está gerando pedidos de outras comunidades e também aldeias indígenas no estado. “No curso, eu pude ver o passo a passo do manejo, como pensar o início do manejo e pôr em prática. O Instituto Mamirauá já tem uma metodologia consolidada no Amazonas e foi muito proveitoso para levar essas experiências para a minha realidade”, diz.

“Uma coisa é ler, ouvir falar, outra é vir, fazer o curso, conhecer as pessoas e como o trabalho é realizado pelo Instituto Mamirauá nas reservas”, afirma a bióloga Neriane da Hora. Ela representa a  organização não-governamental (ONG) Sociedade para a Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (SAPOPEMA), que faz assessoria a grupos de pescadores de pirarucu manejado na região do Baixo Amazonas, no Pará. “Para mim estar aqui foi um divisor de águas. O trabalho que fazemos lá é baseado no do Instituto Mamirauá. A gente vê que dá pra melhorar e o curso mostrou as maneiras”.

A 7ª edição do “Curso de Multiplicadores em Gestão Compartilhada de Recursos Pesqueiros com foco no Manejo Participativo de Pirarucus” do Instituto Mamirauá teve financiamento da Fundação Gordon and Betty Moore.

Texto: João Cunha

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