Instituto Mamirauá - Conservação na Amazônia - "Vamos educar. Só então respeitaremos a natureza" - https://www.mamiraua.org.br/pt-br/comunicacao/noticias/2011/10/25/vamos-educar-so-entao-respeitaremos-a-natureza/

Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

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Rafael Forte

"Vamos educar. Só então respeitaremos a natureza"

25/10/2011

Marco Lopes

Amazonense, bióloga, educadora ambiental, sonhadora. Elizabeth Gama é dessas pessoas que sonham com um mundo justo e ela nem chega a acreditar que isso seja uma utopia, ao contrário. Em entrevista ao site Mamirauá, afirmou que o educador ambiental precisa acreditar e viver seus discursos e alertar os desrespeitos ao meio ambiente. Aos 68 anos, ela que atualmente mora em Manaus, esteve em Tefé, sua cidade natal, para o lançamento das cartilhas “Peixes da Amazônia”, série de publicações educativas que organizou e foi patrocinada pela ExxonMobil. O lançamento oficial ocorreu no dia 19 de outubro, na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pelo Instituto Mamirauá. 

Você é uma referência em educação ambiental (EA) na região do Médio Solimões. Desde quando você trabalha e estuda nessa área?
Desde 1976. Só que nesta época a EA se chamava ecologia. Eu trabalhava nos ensinos fundamental e médio, lecionando ecologia. Nós ensinávamos essa parte da Ecologia, e havia uma preocupação central com os problemas ambientais, com os resíduos de beira de praia, fazíamos limpeza na praia. Eu era uma voz no deserto, nem se falava em Educação Ambiental. Essa mudança foi muito lenta no Brasil, mas aqui chegou com toda força com a criação do Mamirauá.

A partir desse histórico, de transformação e criação da EA, como você a define?
Há vários conceitos de EA. Mas a gente trabalhou oficialmente com aquele da Agenda 21, em que a EA é interdisciplinar e multidisciplinar porque ela permeia todos os ramos do conhecimento e dentro dos aspectos social, político, cultural e religioso.

Quando você fala que o educador ambiental tem que ser um sonhador, qual seria o seu maior sonho?
O meu maior sonho é viver em um mundo justo, que seja equitativo. E eu acredito que a educação seja o ponto básico para o desenvolvimento de uma sociedade. Quando cidadão é educado, ele procura ter uma saúde melhor, ele não é uma pessoa violenta, ele respeita a natureza, ele respeita a capacidade de suporte do planeta, dos ecossistemas, e a ganância fica para trás. E a EA nada mais é do que estimular pessoas educadas no mundo. Quem é educado de verdade nem precisa fazer curso de EA, porque por mais que ele não saiba que o lixo polui a rua, mas sabe que é falta de educação jogar o lixo em qualquer lugar.

Como surgiu a proposta das cartilhas “Peixes da Amazônia”? 
Nós observamos que podíamos aliar conteúdo regional com a conservação do meio ambiente. Então, nós estudamos algumas referências e propostas bem sucedidas e foi feito um diagnóstico de problemas e potencialidades. Depois identificou-se quais temas poderiam ser trabalhados e começamos a encontrar, dentro deles, questões que podem ser desenvolvidas dentro da história, da geografia, da ciência, da matemática, da língua portuguesa, das artes e dos temas transversais. Acrescenta-se aí a diversidade cultural, a pluralidade cultural e a ética, pois o comportamento ecológico é um tipo de ética. Uma próxima etapa foi levar a proposta para os professores, que participaram ativamente do processo. Por último, nós produzimos o material a partir de objetivos construídos coletivamente como a divulgação do potencial pesqueiro da região, esclarecendo sobre as regras do manejo de pesca, e estimulando os professores a produzir seu próprio material.

A cartilha é muito bem aceita pelos professores e alunos. O que contribuiu para essa boa aceitação?
Eu acredito que era uma coisa nova para eles porque não existe nenhum material produzido específico para a região do Médio Solimões. Nós fizemos algo bem especificado em torno do tema peixes. Além disso, eu acredito que muitas coisas servem de estudo até para os próprios professores. É uma oportunidade de aprendizado para eles também. E os alunos, principalmente os urbanos, não sabem distinguir um peixe do outro, não sabem distinguir o pacu de uma pirapitinga pequena, uma curimatã de um jaraqui. O primeiro módulo da série “Peixes da Amazônia” trabalha tudo isso.

Por Eunice Venturi

Serviço:
A série de cartilhas “Peixes da Amazônia” está disponível para download (acesse aqui).

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