Workshop discute resultados da contagem de botos no Rio Purus

Publicado em:  4 de junho de 2013

Pesquisadores do Instituto Mamirauá participaram, em maio, de um workshop para avaliar os resultados da contagem de botos no Rio Purus, ação realizada em dezembro de 2012. Na ocasião, um grupo de pesquisadores passou dez dias a bordo de um barco no Rio Purus, na Amazônia brasileira. O objetivo era a contagem dos golfinhos amazônicos das espécies Inia geoffrensis e Sotalia fluviatilis, como explicou a pesquisadora titular e coordenadora do Projeto Aquavert, Miriam Marmontel. "A expedição surgiu da necessidade por estimativas de abundância de botos na Amazônia. Foi uma atividade do Aquavert em parceria com Fundación Omacha, Associação Amigos do Peixe-boi (AMPA), Instituto Piagaçu Purus e colaboradores do Grupo de Pesquisa em Mamí­feros Aquáticos do Instituto Mamirauá dos estados do Amapá e Maranhão", relatou.
 
"O nosso trabalho era realizado diariamente, do nascer ao pôr do sol", relembra Miriam. "Todos os botos avistados eram registrados em uma planilha com horário, distância e ângulo estimado a partir do barco, número de indiví­duos e se havia filhotes no grupo", explica. E mesmo as dificuldades encontradas não impediram os pesquisadores de continuar. "O Fernando Trujillo, da Fundación Omacha, torceu o pé na saída de Manaus e passou a expedição inteira mancando, subindo três lances de escada pulando em um pé só. A dedicação foi total!", contou a coordenadora.
 
Resultados
Em maio de 2013 todos os pesquisadores participaram de um workshop na Fundación Omacha (em Bogotá) para discutir os primeiros resultados: durante a expedição foram contabilizados 2581 golfinhos. "Todos saímos de lá com tarefas de casa: melhorar as planilhas, limpar os dados e preparar análises mais aprofundadas, para que até o final deste ano possamos submeter um manuscrito para publicação sobre o Rio Purus", revela. "Os dados entrarão no banco de dados geral sobre a abundância de botos na América do Sul".
 
Mas algumas conclusões já podem ser adiantadas. "O número de animais observado é muito superior a todos os já contabilizados em outros países. Ou seja, aparentemente a abundância de botos no Purus é a mais alta da região, o que também indica que existe abundância de alimento para estas espécies ali", avalia a coordenadora. "Agora vamos comparar com outras campanhas, para que possamos chegar a uma estimativa populacional".
 
Próximos passos
Além de concluírem a análise dos dados levantados, os pesquisadores também irão participar de outras expedições: em julho no Rio Caquetá (com a Fundación Omacha) e no final do ano, no Rio Tefé. E ainda em julho, o grupo irá apresentar os primeiros dados da expedição no Rio Purus no 10° Simpósio Sobre Conservação e Manejo Participativo na Amazônia, do Instituto Mamirauá. "Esta é a nossa oportunidade anual de mostrarmos aos membros do Mamirauá as pesquisas realizadas ao longo do ano. E a estimativa dos botos na Amazônia será uma contribuição importante e inédita".
 
A coordenadora ainda revela que existe o desejo de montar projetos semelhantes nas reservas de Mamirauá e Amanã. "Com o envolvimento de parceiros e membros dos Grupos de Pesquisa de outros estados, como Amapá e Maranhão, acreditamos que estas iniciativas serão replicadas também nestes estados, em outros rios", anseia.
A expedição no Rio Purus já era planejada há mais de dois anos, dentro da proposta do Projeto Aquavert, e contou com o patrocínio da Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental. 

Texto: Lilian Wiczneski

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