WCS e Instituto Mamirauá dão início ao projeto Ciência Cidadã para a Amazônia

Publicado em: 21 de novembro de 2017

Projeto vai envolver a sociedade em uma rede de informações para compreender o movimento dos peixes migratórios na Amazônia

Cientistas, poder público e sociedade trabalhando juntos para proteger a biodiversidade e responder uma grande pergunta: “quando e para onde migram os peixes na Amazônia e o que influencia essas migrações? ” Para lidar com um desafio como as dimensões gigantescas da bacia amazônica, a Wildlife Conservation Society (WCS) aposta na participação social em rede, aplicando tecnologias de baixo custo para reunir e transmitir informações. O projeto, chamado Ciência Cidadã para a Amazônia, tem parceria do Instituto Mamirauá. Na semana passada, membros do instituto e da WCS assinaram contrato para o início das atividades ainda esse ano.

Ciência Cidadã

De acordo com Gina Leite, gestora do projeto, o “Ciência Cidadã para a Amazônia” pode contribuir para objetivos de conservação mais amplos na Amazônia com a perspectiva de ciência cidadã ampliada.

“Existem vários projetos de monitoramento participativo de ciência cidadã em nível local e regional. Só que a gente pretende testar a eficiência de uma iniciativa no contexto de toda a bacia, para colocar em pauta a conectividade da bacia e uma visão do sistema aquático de forma integral, com um enfoque na migração de peixes”, explica.

Para isso, um aplicativo de registro de dados sobre peixes está sendo desenvolvido pela Universidade Cornell, nos Estados Unidos. A tecnologia será distribuída entre pessoas ao longo da bacia amazônica, cidadãos parceiros no projeto, e vai integrar e compartilhar dados sobre o deslocamento de espécies de peixes migradores. A iniciativa também tem um componente da qualidade de água nas áreas monitoradas.

“Essa abordagem vai ajudar tanto a abordar as lacunas de informação de forma econômica como a promover a construção de pessoas informadas para a conservação na Amazônia, desenvolvendo cidadãos capacitados como administradores dos ecossistemas de água doce da região”, afirmam os organizadores do projeto.

Mobilização popular

A região no curso médio do Rio Solimões, no estado do Amazonas, foi escolhida para dar início ao “Ciência Cidadã”. As cidades de Tefé, Alvarães, Uarini, Maraã e Fonte Boa estão incluídas no plano de ação.

O Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), trabalha na região há quase 20 anos, realizando estudos científicos e projetos de manejo e desenvolvimento, e vai divulgar o projeto e chamar pessoas a participar da rede de informações.

“Vamos trabalhar com associações comunitárias, de pescadores, escolas rurais, secretarias municipais para fazer a mobilização. Será um processo de muitas conversas, reuniões com a sociedade e, posteriormente, também faremos capacitações para o uso das tecnologias”, informa a coordenadora de pesquisa do Instituto Mamirauá, Maria Cecília Gomes, uma das responsáveis pelo projeto. Para a primeira fase do Ciência Cidadã, a previsão de desenvolvimento das atividades vai até março de 2019.

Escala amazônica

“A partir dessa fase, esperamos gerar informações para apoiar a implementação de uma abordagem de ciência cidadã a uma escala maior e de forma autônoma, permitindo a colaboração entre os cidadãos em diferentes locais da bacia amazônica”, declaram os organizadores.

Uma reunião entre representantes do Instituto Mamirauá e WCS acontecerá no início de dezembro na sede do instituto, na cidade amazonense de Tefé, para discutir sobre a primeira versão do aplicativo para registro das observações de pesca e aplicação do cronograma de atividades. O projeto Ciência Cidadã para a Amazônia também conta financiamento da Gordon and Betty Moore Foundation.

Texto: João Cunha

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