Uma professora que semeia sonhos na Reserva Amanã

Publicado em: 17 de novembro de 2017

 

Raimunda Jucinéia Silva Araújo, mais conhecida como Juci, é professora na comunidade do Ubim, na Reserva Amanã. A formação em magistério não foi fácil, muitas idas e vindas à sede do município de Maraã, distante 12 horas da comunidade onde ela vive. Mas ver o sonho de infância ser realizado compensou todo o esforço: “Quando eu era criança, minha mãe até brigava porque eu não largava os livros. Antes de lavar a roupa, fazer qualquer serviço, eu tinha que ler. Apeguei-me aos livros e às crianças quando fui animadora na igreja. Então, comecei a fazer meus estudos em Maraã. Durante três anos, todos os meses, eu tinha que ir para lá. Descia até Tefé, pegava um recreio [barco de grande porte comum nos rios da Amazônia] e ia para Maraã”.
 
Em 2016, a escola da professora Juci foi uma das 16 beneficiadas pelo uso das cartilhas produzidas pela equipe de educação ambiental do Projeto BioREC. Uma cartilha, voltada para os alunos, recebeu o nome de “Na comunidade eu aprendo: conservando o nosso ambiente”.  Já a cartilha “Educação e Ambiente: aprendendo com os viveiros educativos” tem como foco os professores.
 
Na comunidade do Ubim, o uso das cartilhas também movimentou os moradores. “A gente viu o formato dos canteiros. Aqui, as pessoas preferiram que cada família tivesse o seu canteiro, para facilitar o contato dos filhos, da esposa e do marido. Porque cada um tendo o seu canteirinho, eles vão ter o zelo, vão zelar, a própria mãe vai dizer: ‘Meu filho, vamos lá! Porque o canteiro é nosso’. Eles gostaram de ter os seus canteirinhos, não é? Eles escolheram o canteiro e acharam uma coisa muito legal. Então, agora vamos plantar. A gente vai deixar ele crescer saudável, e o que puder fazer para que ele possa crescer, nós vamos fazer”.
 
Para a professora, conhecimento também tem que ser semeado e, assim, construir o cotidiano: “E esse é o meu sonho. Ver meus “meninos” construindo as coisas para que eles possam, no futuro, fazer algo na construção do seu dia a dia, do trabalho, da escola ou, então, na economia! A gente já vai despertando a curiosidade, curiosidade do futuro, para os alunos saírem daquela arrumação de só plantar mandioca, que é um trabalho difícil. Por isso, eu mostro o maracujá, a castanha, o açaí. Tem que plantar uma planta, uma fruta, porque aí ele vai ter aquele recurso por muito tempo, várias e várias vezes, para ter renda. Eu plantei mandioca, tirei ela e acabou. Mas o cupuaçu fica, o açaí fica. Tem a tangerina, a laranja, que são coisas que vão ser repetidas ali por muitas e muitas vezes. Isso é um recurso que a gente vai tirar para as famílias, não é?”. É sim, mestre Juci.
 
Texto originalmente produzido para o livro “Protagonistas: relatos de conservação do Oeste da Amazônia”, que pode ser baixado em mamiraua.org.br/protagonistas. Desenvolvido no âmbito do projeto “Mamirauá: Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade em Unidades de Conservação” (BioREC) e conta com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Texto: Eunice Venturi

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