Uma jovem e dedicada liderança no Punã

Publicado em: 23 de março de 2018

A comunidade Punã fica a cerca de 40 minutos de voadeira do município de Uarini, no Amazonas. A comunidade, localizada às margens do rio Solimões, possui aquele ar de tranquilidade, típico das comunidades ribeirinhas, mas, ao mesmo tempo, tem uma agitação decorrente da presença de pessoas de outras comunidades. De lá veio Edilane Praia Rodrigues, uma das estudantes do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Edilane conta que sempre se interessou pelos estudos, podendo, assim, ajudar de alguma forma sua comunidade. “Eu tinha planos de estudar em Manaus, fui aprovada no vestibular da Universidade Estadual do Amazonas, no curso de Química. Mas percebi que não era exatamente o que eu queria”. Em contrapartida, as aulas ministradas por pesquisadores e técnicos do Instituto Mamirauá no CVT superaram suas expectativas. “Eu estou achando uma experiência ótima, aprendendo várias coisas que jamais imaginei aprender”, diz a jovem.

Segundo Edilane, a comunidade de Punã é um lugar bom para viver. “A gente joga futebol, viaja para outras comunidades, vai a festas. E, ao mesmo tempo, não nos falta nada devido à proximidade com o munícipio de Uarini”. No entanto, essa proximidade acaba rendendo impasses. “Nós recebemos muitas pessoas de fora e fica difícil manter o controle. Passamos a ter problemas com consumo excessivo de bebidas e drogas. Isso tem gerado muitos outros problemas”.

Para a jovem, embora os moradores da comunidade estejam na expectativa para a execução do seu plano de trabalho, será um desafio grande envolver a comunidade e conscientizá-los sobre a importância das ações que ela deve promover durante 2018. “Muitas vezes, as pessoas que mais cobram sequer participam das reuniões. Mas eu espero conseguir envolvê-las nas oficinas e nas palestras previstas no meu plano de trabalho”.

A estudante acredita que a experiência no CVT é apenas o começo. “As aulas me abriram os olhos para importância da conservação ambiental. Agora vejo a natureza de uma forma diferente e valorizo o que nós temos. E eu acho que esse papel de proteção tem que partir da gente que mora aqui e faz uso desses recursos”. Ao final do curso, a jovem espera poder aprofundar os conhecimentos adquiridos. “Quero cursar Engenharia Florestal”, afirmou.

O Centro Vocacional Tecnológico é uma unidade de ensino e de profissionalização, voltado para difusão do acesso ao conhecimento científico e tecnológico. A iniciativa busca capacitar lideranças e contribuir com o empoderamento de jovens no Amazonas. A iniciativa conta com financiamento da Gordon and Betty Moore Foundation.

Texto: Laís Maia 

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