Um agente ambiental que não para de buscar conhecimento

Publicado em: 17 de novembro de 2017

A comunidade Boa Esperança, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, não tem veículo automotor, mas o agente ambiental voluntário Luiz Sérgio dos Reis é considerado um ‘caminhoneiro’. No caso, caminhoneiro quer dizer ‘caminhão carregado de informação’. É assim que algumas pessoas se referem ao trabalho de agente ambiental que ele desenvolve. Para seu Luiz - conhecido também pela frase: “informação é poder e alimenta” – este é o papel de um líder: “A gente tem que ter conhecimento, e para ter esse conhecimento tem que correr atrás. Eu também fico feliz pelas pessoas que me dão informação. Com conversa, com diálogo, eu vou aprendendo. Até digo que faço uma faculdade, mas é a faculdade da vida, que me ensina a viver, conviver e sobreviver. Então, esse é o papel do líder, conhecer para orientar”.

Os agentes ambientais são moradores das próprias unidades de conservação que, ao longo do tempo, passam a atuar como disseminadores de informações visando à proteção dessas áreas. Seu Luiz exerce a função há 12 anos e já participou de várias capacitações desenvolvidas pelo Projeto BioREC. “Eu também já fiz várias reciclagens para me especializar na prática do trabalho. As reciclagens funcionam como um curso novo, lembrando aquilo que você já estudou e se capacitando mais, muito mais, para informar e falar das leis”, diz orgulhoso. Em suas abordagens, Luiz fala de meio ambiente e expressa preocupação: “Será que os que vão vir depois de nós vão ver essa fartura de recursos? Nós não podemos tirar dois peixes ao mesmo tempo. Precisamos tirar um hoje e outro amanhã. Para mim, preservar é amor pela natureza e pelos nossos familiares. As pessoas têm que sentir que têm dever de preservar e garantir o futuro para os que vão vir”.

O líder comunitário compara a Amazônia à família: “Nas minhas palestras, eu levo as pessoas a pensarem nos seus netos que, no futuro, vão dizer: ‘Poxa, eu estou passando por uma dificuldade, e o culpado disso foi o meu avô que não soube cuidar. Ele não preveniu, não preservou a minha vida e assim como ele quis ter uma família, eu também quero, porque família é coisa preciosa’. A família tem que ser cuidada, e a natureza tem que ser cuidada que nem a família da gente, porque ela também é preciosa! Todo mundo deveria pensar em cuidar da natureza, pois ela nos oferece tudo pra gente sobreviver. Ela dá esse vento legal, essas flores tão cheirosas, esse peixe gostoso, essa água maravilhosa que nós tomamos e nos alimenta. Nós podíamos cuidar disso muito bem, porque é um presente que Deus deixou para nós e é muito precioso”.

Obrigado pela lição, caminhoneiro!

Texto originalmente produzido para o livro “Protagonistas: relatos de conservação do Oeste da Amazônia”, que pode ser baixado em mamiraua.org.br/protagonistas. Desenvolvido no âmbito do projeto “Mamirauá: Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade em Unidades de Conservação” (BioREC) e conta com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Texto: Eunice Venturi

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