Sustentabilidade em negócios é tema de oficina no Instituto Mamirauá

Publicado em: 26 de maio de 2017

“Para que um negócio seja ambientalmente sustentável ele também tem que ser economicamente sustentável, para que gere às populações ribeirinhas condições dignas de vida”, disse o pesquisador Gonçalo Guimarães. “Quando não se tem uma condição de sustentabilidade, o meio ambiente é afetado”.

Foi com o foco em equilibrar rentabilidade e conservação da natureza, que o professor Guimarães conduziu a “I Oficina de Empreendedorismo em Negócios Comunitários Econômicos e Ambientalmente Sustentáveis”. Realizada, entre os dias 23 e 25 de março, pelo Instituto Mamirauá, a oficina reuniu moradores de unidades de conservação do Amazonas, empreendedores e estudantes. Esta e mais outras três oficinas sobre o tema, que serão realizadas nos próximos anos, são financiadas pela Fundação Gordon and Betty Moore.

Na sede do instituto, em Tefé (AM), os participantes viveram uma programação teórica e prática baseada no conceito de empreendimentos sustentáveis. Ministrante da oficina, Gonçalo Guimarães é uma referência nacional no assunto. Doutor e coordenador geral da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (COPPE/UFRJ), ele trabalha há vinte anos com assessoria à empreendimentos populares em áreas de baixa renda no Rio de Janeiro.

“A oficina abrange o eixo da sustentabilidade econômica, traz um olhar econômico aos empreendimentos socioambientais que já são feitos ou que se pretendem nas reservas”, explica o especialista. “É um trabalho complementar ao que já é feito com muita qualidade pelo Instituto Mamirauá na dimensão comunitária e de conservação”.

Médio Solimões representado

O coordenador do Núcleo de Inovação e Tecnologias Sustentáveis do Instituto Mamirauá, Josivaldo Modesto, destacou o público heterogêneo que fez parte da oficina. “Estiveram presentes associações como a APAF (Associação de Produtores Agroextrativistas da Floresta Nacional de Tefé e Entorno) e a AGEMAAM (Associação de Auxiliares e Guias de Ecoturismo de Mamirauá), que cuida da gestão da Pousada Uacari, iniciativa de turismo de base comunitária”.

“Compareceram também uma cooperativa de Tefé e representantes de um empreendimento comunitário, a Casa do Cabloco, para que eles tenham maiores subsídios para gerir essas associações”, continuou.

Josivaldo ressaltou também a participação da turma do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá, feita por estudantes de várias cidades e comunidades ribeirinhas da região do Médio Solimões. “Têm alunos de Tefé, Maraã, Carauari, Fonte Boa, então alcançamos uma distribuição geográfica muito grande, no objetivo de capacitação e divulgação do empreendedorismo sustentável”, afirmou. “Como resultado, esperamos sensibilizar esses futuros líderes comunitários que estão estudando no CVT”.

Estimulando ideias

“Muitas vezes a gente vê um potencial na nossa comunidade, mas não sabe como botar em prática”, falou Rodrigo Pinto, morador da comunidade Remanso, no município amazonense de Fonte Boa. “Por isso, é bom participar de momentos como esse, para aprender, anotar tudo, discutir ideias para que depois a gente possa praticar”. Junto com seus colegas, também estudantes do Centro Vocacional Tecnológico, Rodrigo construiu um modelo de negócios para uma empresa de extração de sementes para artesanato e mudas, a Jarauá Sementes.

“Eu vim para oficina aprimorar os conhecimentos sobre a gestão comunitária de negócios, porque é uma das necessidades da AGEMAAM”, disse o presidente da associação, Joisiney Martins.

Texto: João Cunha

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