Simpósio sobre Conservação e Manejo Participativo na Amazônia reúne especialistas em Tefé

Publicado em:  6 de julho de 2016

Iniciou ontem a 13º edição do Simpósio sobre Conservação e Manejo Participativo na Amazônia (Simcon) na sede do Instituto Mamirauá em Tefé (AM). Durante quatro dias, o evento reúne especialistas para a exposição de resultados de pesquisas realizadas na Amazônia. Serão 76 trabalhos expostos, além de minicursos, palestras e debate. O Simcon pode ser acompanhado pela transmissão ao vivo no link: www.mamiraua.org.br/web.

O diretor Técnico Científico do Instituto Mamirauá - unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações - João Valsecchi do Amaral, realizou a abertura do evento. “Desde a sua primeira edição, em 2004, o Simpósio se transformou de um evento local, focado na apresentação das pesquisas realizadas nas Reservas Mamirauá e Amanã, em um evento de maior abrangência, reunindo pesquisadores de diferentes instituições do Brasil e do exterior”, disse.

A primeira palestra do evento foi ministrada pelo pesquisador do Instituto Mamirauá, André Coelho. Na apresentação, o pesquisador fez uma revisão dos últimos 35 anos de pesquisa sobre ecologia e conservação de populações de ariranha na América do Sul. De acordo com André, na Reserva Amanã (AM), área de atuação do Instituto Mamirauá, foram estimados 75 indivíduos da espécie, que é classificada como ameaçada de extinção pela International Union for Conservation of Nature (IUCN). Um compromisso estabelecido pelos países onde a espécie ocorre foi a publicação de Planos de Ação Nacionais, com o objetivo de conservar as populações existentes e de iniciar a recuperação em toda a área de distribuição da espécie. No Brasil, o Plano foi lançado em 2010.

Entre a exposição de resultados de pesquisa, houve a apresentação de Ana Claudeíse do Nascimento, sobre as experiências com a implantação de tecnologias sociais pelo Instituto Mamirauá nas Reservas Amanã e Mamirauá. De acordo com a pesquisadora, as iniciativas buscam por soluções aos problemas sociais. “Na literatura, as tecnologias sociais são classificadas como produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis desenvolvidas na interação com a comunidade e que representam efetivas soluções e transformação social”, comentou durante a apresentação.

Na parte da tarde, paralela às apresentações orais dos trabalhos, houve também a exposição em pôster.  

Biodiversidade e redução das emissões de carbono

Na terça-feira, dia 05, houve o 2º Seminário Anual do Projeto BioREC. Foram doze apresentações das pesquisas e ações de manejo realizadas pelo projeto, que é desenvolvido pelo Instituto Mamirauá e conta com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os pesquisadores e técnicos apresentaram os resultados das ações e pesquisas realizadas nas Reservas Mamirauá e Amanã. O Seminário abriu a programação do 13º Simpósio sobre Conservação e Manejo Participativo na Amazônia. Entre os trabalhos apresentados, estiveram o diagnóstico florístico e estrutural de uma área antes da realização do manejo florestal; a avaliação do potencial de sobrevivência de espécies arbóreas para a recomposição de áreas degradadas; a análise do uso do solo pela agricultura na comunidade Boa Esperança, por meio de análises de imagens de satélite; a experiência com educação ambiental; a formação de Agentes Ambientais Voluntários, entre outros assuntos.

Samis Vieira, técnico do Programa de Manejo de Agroecossistemas do Instituto Mamirauá, apresentou a experiência da oficina sobre sistemas agroflorestais. Durante a apresentação, o técnico destacou a troca de saberes entre agricultores e técnicos na Reserva Amanã. “O conhecimento tradicional é um conhecimento muito amplo, muito rico e valorizamos isso”, comentou.

Outra ação do projeto apresentada foi a instalação da unidade de beneficiamento de polpa de fruta com energia solar, captação de água de chuva e de poço. A iniciativa está em implantação na comunidade Boa Esperança, na Reserva Amanã, e propõe contribuir com os agricultores para o aproveitamento da produção local de frutas.

O Projeto Biorec, como vem sendo chamado (Bio de biodiversidade e REC de redução das emissões de carbono), é realizado desde 2013 pelo Instituto Mamirauá. Entre as ações está a capacitação de moradores de comunidades ribeirinhas como Agentes Ambientais Voluntários, multiplicadores agroflorestais e professores, além de outras ações. Estima-se que mais de 13 mil pessoas sejam beneficiadas, direta ou indiretamente.

Minicursos

No primeiro dia do Simpósio, também aconteceu o minicurso “Telemetria como ferramenta para conservação”, mediado pelos pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos, André Coelho e Camila Carvalho.

Na segunda-feira, dia 04, paralelamente à programação do Simpósio, houve o minicurso “Do desenho amostral à publicação dos resultados: dicas e ideias úteis”. A pesquisadora Karen Mustin, da Embrapa Amapá, ministrou a atividade, que tratou sobre a importância das publicações científicas e apresentou sugestões e dicas aos pesquisadores.

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