Seminário sobre os caminhos da inovação no Brasil tem participação do Instituto Mamirauá

Publicado em: 24 de agosto de 2017

“A valorização das tecnologias sociais tem um papel estratégico na viabilização de um futuro promissor”, disse a socióloga Ilana Strozenberg, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, durante a abertura da mesa-redonda “É preciso valorizar a tecnologia social”, parte do “Seminário Inovanças – a inovação feita no Brasil”, promovido pelo Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (RJ).

O evento aconteceu no dia 16 de agosto e contou com a participação do Instituto Mamirauá. Na oportunidade, a coordenadora do Programa Qualidade de Vida, Dávila Correa, apresentou a experiência com o desenvolvimento de projetos de tecnologias sociais, voltados para melhoria da qualidade de água e oferta de energia para populações isoladas da Amazônia. Um desses projetos apresentados foi o sistema de abastecimento de água, além do projeto “Gelo Solar” que está em exposição no Museu do Amanhã.

Antes, porém, Ilana explanou sobre a importância das tecnologias sociais: “As tecnologias sociais têm um papel muito importante e eu vejo isso sob dois desafios. O primeiro é lidar com os recursos da natureza de maneira menos predatória. Ou de trocar a lógica predatória pela lógica da sustentabilidade e da preservação. O outro é o desafio de lidar com as diferenças. As diferenças culturais, étnicas, as diferentes formas de entendimento e de produção de conhecimento”.

Em seguida, Dávila apresentou um panorama sobre os trabalhos desenvolvidos pelo Instituto Mamirauá, cujas experiências têm foco em inclusão social enfatizando a energia solar fotovoltaica, que é uma grande demanda local. Inicialmente, foi apresentado o sistema de abastecimento de água que bombeia a água para um reservatório elevado. A caixa d’água é conectada a um filtro de areia, para pré-tratamento da água e remoção de resíduos. A água é distribuída por gravidade para a comunidade com um ponto de fornecimento em cada domicílio.

“Nós trabalhamos a inovação com base em uma balança. De um lado, o foco da tecnologia social, das necessidades básicas e de ter um olhar, de entender qual é a necessidade daquela população. O saber da população de participar do processo, construído a partir de uma rede de saberes. Do outro, a qualidade de vida nos verbos ‘ter’, de ter e propiciar o acesso, ‘amar’, de valorizar as pessoas, e ‘ser’, de eu me encontrar em uma comunidade”, enfatizou Dávila.

 

Política Nacional de Tecnologias Sociais

No mesmo dia do seminário no Rio, a Câmara dos Deputados deu um importante passo na valorização das tecnologias sociais. Foi aprovada na Comissão de Constituição e de Justiça o projeto de lei 3329/15, do Senado Federal, que cria a Política Nacional de Tecnologia Social. A proposta define as tecnologias sociais como a união entre saber popular e conhecimentos científicos e tecnológicos, que devem atender a requisitos de simplicidade, baixo custo, fácil aplicabilidade e reprodução e impacto social comprovado. Além disso, devem ser voltadas para a solução de problemas básicos: suprimento de água potável, alimentação, educação, energia, habitação, renda, saúde e meio ambiente. "Esse passo para a efetivação da Política é uma inovação promissora para a inclusão social no Brasil, pois criam instrumentos e redes que tornam a ciência e tecnologia accessível, participativa e democrática", comemorou Dávila. 

 

Serviço

“Inovanças”, além de um seminário, é uma exposição temporária promovida pelo Museu do Amanã. O projeto “Máquina de Gelo Solar”, desenvolvido pelo Instituto Mamirauá e Universidade de São Paulo, é uma das inovações em exposição. Pode ser vista até 22 de outubro. No total, a exposição conta com cerca de 40 criações, divididas em sete setores.

Texto: Eunice Venturi

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