Seminário destaca importância dos projetos de extensão do Instituto Mamirauá para reservas da Amazônia Central

Publicado em: 10 de dezembro de 2018

O Seminário de Avaliação da Diretoria de Manejo e Desenvolvimento do Instituto Mamirauá tradicionalmente analisa os projetos desenvolvidos pela diretoria durante o ano e projeta seus próximos passos

Prestes a completar 20 anos de idade, o Instituto Mamirauá tem sua história diretamente relacionada a projetos de extensão, que sempre foram parte fundamental de suas ações de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável em reservas da região do Médio Solimões, no Amazonas. O seminário da Diretoria de Manejo e Desenvolvimento (DMD) do Mamirauá, responsável pelos projetos de extensão do instituto em comunidades ribeirinhas locais, teve início na terça-feira (4), relembrando os fatos que marcaram a sua história, desde a época em que o grupo era chamado de Coordenação de Extensão. O evento aconteceu entre os dias 4 e 6 de dezembro, na sede do instituto no município amazonense de Tefé.

Dando início ao seminário, a Diretora de Manejo e Desenvolvimento do Instituto Mamirauá, Dávila Corrêa, convidou os colaboradores e pesquisadores presentes a anotarem, em cartões fatos relevantes da trajetória do grupo. Os cartões seriam depois pendurados em um varal, exibindo, em uma linha do tempo, a história da diretoria do ponto de vista de quem a viveu.

Isabel Sousa, antropóloga e ex-diretora da DMD, relembrou os acontecimentos que marcaram a construção do grupo, desde sua chegada ao Mamirauá, no ano 2000 - um ano após a fundação do instituto. Fatos como a transformação da antiga Coordenação de Extensão na atual Diretoria de Manejo e Desenvolvimento, que se estruturou no ano de 2001, e a criação dos tradicionais programas de manejo florestal comunitário e manejo de pesca foram rememorados e posicionados no contexto das diversas mudanças, entre altos e baixos, pelas quais o instituto passou ao longo dos últimos 20 anos.

“É difícil dimensionar a contribuição do Instituto Mamirauá para a região, mas quando fazemos esse tipo de exercício, percebemos o quanto já fizemos e quantos desafios ainda temos. Se olhamos os números, nos damos conta do quanto o nosso trabalho contribuiu para a redução da mortalidade infantil, da extração ilegal de madeira, da pesca ilegal. Esse cenário foi mudando com os nossos programas de manejo”, relata a pesquisadora.

Isabel, que acompanhou o desenvolvimento do Instituto Mamirauá como coordenadora da Coordenação de Extensão até 2001 e, de 2004 a 2018, diretora da DMD, exalta a influência que o instituto passou a ter também fora das reservas locais. “A categoria de Reserva de Desenvolvimento Sustentável, com moradores dentro, foi uma proposta daqui. Esse modelo no qual a pesquisa científica subsidia as ações de manejo foi pensado e implementado aqui, mas depois se expandiu. Hoje, há várias unidades de conservação com essa mesma categoria, inspiradas no nosso modelo, com projetos similares de manejo de recursos naturais”.

Um ano de grandes projetos

O ano de 2018 serviu para a conclusão e o início de grandes projetos na DMD, que tem expandido suas áreas de atuação para além das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Amanã e Mamirauá.

Dávila Corrêa, atual diretora de Manejo e Desenvolvimento do Instituto Mamirauá, ressalta o valor de toda a experiência adquirida pela DMD em 2018, nos diversos projetos com os quais as suas coordenações estiveram envolvidas. “Minha avaliação de 2018 se resume pela palavra aprendizado. É importante avaliar os projetos à medida que as comunidades vão participando. E se for preciso, reposicioná-los para que tenham significado ao modo de vida e produção das populações amazônicas”.

Quatro novas casas de farinha foram inauguradas, apenas neste ano, em comunidades da Floresta Nacional de Tefé (FLONA). A produção da mandioca e da farinha é assessorada pelo Programa de Manejo de Agroecossistemas (PMA). A infraestrutura das construções foi projetada pelo Programa Qualidade de Vida (PQV), adequando-se às normas impostas pela vigilância sanitária.

“Vejo esse ano como um momento de transição, não só nessa linha. Todas elas tiveram um marco em termos de avanços na assessoria técnica. Todas as linhas de frente do programa deram um passo à frente em relação às pessoas que são continuamente assessoradas”, afirma Fernanda Viana, coordenadora do PMA.

O PQV esteve envolvido também na implementação da nova Unidade de Recepção e Pré-Beneficiamento de Pirarucu Manejado, uma estação flutuante de tratamento de pirarucu construída com o apoio da USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) e do Serviço Florestal Americano. A instalação foi realizada na Reserva Extrativista Auati-Paraná e será utilizada pela Associação dos Agro-extrativistas de Auati Paraná (AAPA). Em setembro, as comunidades associadas receberam capacitações dos técnicos do PQV e do Programa de Manejo de Pesca (PMP) do Instituto Mamirauá.

Durante as capacitações na unidade, o PMP lançou a nova cartilha de “Boas Práticas de Manipulação de Pirarucu”. Com linguagem simples e acessível, a publicação foi desenvolvida para guiar os manejadores no tratamento correto do pirarucu, do ponto de vista da vigilância sanitária.

Outra importante frente de atuação da DMD, as aulas do Centro Vocacional Tecnológico do Instituto Mamirauá seguiram sendo ministradas pelos pesquisadores do instituto. A segunda turma de alunos, indicados pelas comunidades ribeirinhas das reservas locais, é composta por potenciais protagonistas na implementação de tecnologias sociais e melhorias na qualidade de vida da população da região. Para tanto, recebem capacitações do instituto dentro de suas áreas de atuação.

O próximo ano da DMD

Seguindo a tendência observada neste ano de expansão para novas regiões da Amazônia Central, o Programa de Turismo de Base Comunitária (PTBC) também está ampliando os seus horizontes, assessorando o desenvolvimento do ecoturismo na Floresta Nacional (FLONA) de Tefé. “A FLONA está com um projeto novo, que nós ajudamos a escrever. Seria muito gratificante para o programa ver outras iniciativas da região crescendo e se tornando protagonistas”, explica Pedro Nassar, coordenador do (PTBC).

Entre as novas tecnologias a serem implementadas pela DMD, está a máquina de extração de óleo de andiroba, que será instalada pelo Programa de Manejo Florestal Comunitário (PMFC), na comunidade Batalha de Baixo, da reserva Mamirauá, em março de 2019. “A máquina é importante para incentivar o uso do recurso florestal [pela comunidade]. Porque, até então, eles tinham o recurso, mas não sabiam como usá-lo e tinham dificuldade em escoar o produto. Além de explorar o recurso, é uma oportunidade de se usar essa nova tecnologia social”.

O Plano de Gestão proposto para a reserva Amanã está previsto para ser concluído no ano que vem. No início de 2018, o Programa de Gestão Comunitária (PGC) viajou pelas comunidades ribeirinhas da reserva para recolher dados de censo demográfico e realizar um levantamento socioeconômico da região. A unidade de conservação é uma das maiores áreas de floresta tropical protegida das Américas, com mais de 2 milhões de hectares. As informações coletadas serão utilizadas para subsidiar o projeto do plano.

Para Dávila, a DMD deve fortalecer a relação entre o mercado consumidor e os produtores assessorados pelo instituto. “Nossa proposição é o fortalecimento socioprodutivo: de um lado, os manejadores de recursos naturais e do outro, o mercado consumidor. Vamos continuar implementando tecnologias que permitam a produção sustentável e experimentando ferramentas para aproximar o mercado dos produtores”.

Texto: Bernardo Oliveira

 

 

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