Selo Origens Brasil deve ser novo reforço do pirarucu manejado na Reserva Mamirauá

Publicado em: 29 de março de 2018

A iniciativa do Imaflora busca dar mais transparência para os produtos agroextrativistas e as relações comerciais praticadas por populações tradicionais

Os recursos pesqueiros são considerados a principal fonte de renda das populações ribeirinhas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas. Na região nasceu o manejo participativo de pirarucu (Arapaima gigas). Essa tradicionalidade chamou a atenção do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), que desde o início da semana visita a sede do Instituto Mamirauá para dialogar com representantes de áreas de manejo de pesca e instituições envolvidas na atividade. O objetivo? Dar ao pirarucu manejado da região de Mamirauá o selo Origens Brasil.

Para a coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, Ana Cláudia Torres, a proposta do Origens Brasil se adequa muito bem ao trabalho desenvolvido na região. “A iniciativa visa a valorização de produtos da sociobiodiversidade que existem em áreas protegidas da Amazônia e, do seu produtor, muitas vezes invisibilizados nessa cadeia de produção”, afirmou. 

O Origens Brasil alinha a tecnologia com as relações comerciais de povos tradicionais na Amazônia. De acordo com Ana Cláudia, a expectativa é de que a ferramenta possa contribuir na comercialização do pirarucu manejado. “Há uma dificuldade em comercializar o grande volume produzido, principalmente devido à concorrência com o produto ilegal que abastece os mercados. Com a expertise do Imaflora, a gente acredita que podemos somar esforços e melhorar essa questão”.

Com o Origens Brasil, o pirarucu da região de Mamirauá deve ganhar um diferencial.  “A proposta é que aconteça uma valorização desse produto, que não visa apenas a questão da pesca e comercialização, mas que também protege os recursos naturais de uma determinada área por meio do manejo”, completou Ana Cláudia.

Como funciona o Origens Brasil

Por meio de um QR Code, o sistema funciona conectado a plataforma colaborativa, onde o consumidor conhece a origem dos produtos, as histórias dos povos e de seus territórios. A ferramenta busca dar transparência às cadeias de produtos da floresta e ajuda os consumidores a identificar empresas que carregam os seguintes valores: baixo impacto sobre os recursos naturais, conhecimentos tradicionais e conservação da região onde é produzido.

O manejo de pirarucu na Reserva Mamirauá

Unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o Instituto Mamirauá, através do Programa de Manejo de Pesca, presta assessoria técnica ao manejo de pirarucu na Reserva Mamirauá. As atividades do programa contam com o financiamento do Fundação Gordon and Betty Moore.

Texto: Laís Maia

 

 

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