Reforçando técnicas para o manejo florestal comunitário

Publicado em:  9 de fevereiro de 2015

O Programa de Manejo Florestal Comunitário do Instituto Mamirauá realizou capacitações com manejadores florestais comunitários, durante o mês de janeiro. O grupo desenvolveu, com apoio técnico, atividades de levantamento de estoque, exploração com impacto reduzido, cubagem e medição de clareira.

Cada capacitação representa uma etapa do manejo e acontece durante a realização da própria atividade.  “Reforçamos as técnicas para que o manejo seja feito da melhor maneira possível, inclusive envolvendo questões de segurança do trabalho”, conta Márcio Abreu, engenheiro florestal do Instituto Mamirauá. Estas ações, a partir de 2014, passaram a ser financiadas pelo  projeto “Participação e Sustentabilidade: o Uso Adequado da Biodiversidade e a Redução das Emissões de Carbono nas Florestas da Amazônia Central” –BioREC – desenvolvido pelo Instituto Mamirauá com financiamento do Fundo Amazônia.

O levantamento de estoque florestal é uma das etapas iniciais do manejo, onde se realiza o inventário das árvores, delimitando as parcelas a serem exploradas a cada ciclo de corte. Os dados coletados nessa atividade são enviados para o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), que vistoriará as áreas e emitirá o licenciamento, autorizando o corte para o próximo ano. “Com a licença de algumas áreas, fomos para campo aplicar a capacitação em exploração de impacto reduzido. Só que ao mesmo tempo em que fazemos a exploração, também fazemos a medição de clareira e avaliação dos impactos produzidos por esta exploração, além do levantamento de estoque para o ano seguinte ”, aponta Márcio.

Neste ano alguns grupos de manejadores também foram apresentados ao método de cubagem geométrico. Márcio afirma que "até 2011 existia outra forma de fazer a cubagem. Hoje a gente usa o geométrico, que garante aos manejadores maior controle sobre o volume comercializado, aumentando o aproveitamento das toras".  

 A atividade de mediação de clareia está ligada  a ações de pesquisa do Instituto Mamirauá, integradas ao  Grupo de Pesquisa em Ecologia Florestal. Dados são coletados em campo para analisar os impactos da atividade e pensar sobre a eficiência das técnicas empregadas. Essa medição é feita no pós-corte, avaliando, por exemplo, se o direcionamento da queda está correto. "Por meio da exploração de impacto reduzido diminuímos a perda de árvores remanescentes, que ficarão para o corte dos próximos ciclos", mostra o engenheiro florestal. Neste ano, também foram  pesquisadas algumas áreas mais antigas, exploradas de 2006 a 2008. Nestes locais foram coletados dados para avaliar se as técnicas de corte aplicadas permitem a melhor regeneração possível da floresta.

O objetivo geral das capacitações é garantir a gradativa autonomia dos manejadores no uso de técnicas adequadas, com menor impacto. Cada etapa do manejo bem feita pode evitar atrasos burocráticos em um processo que já é bastante complexo. "As capacitações e a assessoria técnica continuadas são fundamentais para resolver os entraves e os problemas técnicos, para não emperrar o plano de manejo  junto aos órgãos licenciadores. Alguns grupos de manejadores, de outras áreas da Amazônia,contam somente com capacitações e assessorias técnicas muito esporádicas", afirma Isabel Sousa, diretora de manejo do Instituto Mamirauá.

Carta de Brasília e repactuação de uma agenda para o manejo florestal comunitário e familiar

Além dessas ações que fortalecem e empoderam as organizações de manejadores, questões mais amplas sobre o tema também precisam ser discutidas. O Instituto Mamirauá participou, durante o mês de novembro de 2014, do Seminário “Repactuação da Agenda do Manejo Florestal Comunitário e Familiar (MFCF) na Amazônia”, organizado pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB). Com representantes de instituições, associações e sindicatos de manejadores, técnicos, pesquisadores e representantes de governos estaduais, o Seminário discutiu os problemas que manejadores enfrentam e o não cumprimento de metas já estabelecidas, apontando para a necessidade de estabelecimento de uma agenda mínima sobre o tema.

"Muito mais que uma pressão social, isso também é uma pressão política, porque essa agenda de manejo florestal foi criada há algum tempo, para discutir justamente essas questões e esses problemas que dificultam o manejo florestal comunitário e familiar. E por algum tempo as discussões ficaram paradas. Esta reunião procurou resgatar a agenda para que essas questões não se percam. A ideia é justamente discutir os problemas, ver o que está acontecendo e chamar o governo, através das secretarias de produção e meio ambiente, para assumir esses compromissos relacionados à assessoria técnica", afirma Isabel.

Os participantes assinaram a Carta de Brasília - Repactuação da Agenda para o Manejo Florestal Comunitário e Familiar na Amazônia. O documento propõe para o primeiro semestre de 2015 a aprovação de no mínimo 20% de todos os Planos de Manejo Florestal Comunitário e Familiar protocolados nos órgãos ambientais federais e estaduais; a consolidação imediata dos instrumentos de gestão das Unidades de Conservação, como, por exemplo, a revisão do Plano de Manejo da Floresta Nacional do Tapajós; o lançamento de editais de ATER – Assistência Técnica e Extensão Rural, com foco na capacitação, fortalecimento institucional e comercialização, em prazos compatíveis; o lançamento de edital do Fundo Amazônia, específico para o MFCF; e a promoção de  ações de fiscalização em áreas de ocorrência de desmatamento, exploração ilegal e conflitos envolvendo lideranças, como consta no documento final do encontro.

Texto: Vanessa Eyng

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