Reabilitação de peixes-boi em comunidade no interior do Amazonas ganha destaque em congresso internacional

Publicado em: 24 de maio de 2012

De acordo com a oceanógrafa Miriam Marmontel, do Instituto Mamirauá (com sede em Tefé-AM), nos poucos locais credenciados para a reabilitação de peixes-boi na Amazônia, o grande número de animais atendidos tem gerado dificuldades para o tratamento e devolução desses peixes-boi à natureza. Além da “superlotação”, Marmontel aponta outro obstáculo para a soltura de animais dos centros de reabilitação amazônicos: a maioria dos centros localiza-se em ambientes urbanos – nas regiões metropolitanas de Manaus e Belém –, ambientes conturbados para a reintrodução de animais na natureza.

Em 2008 o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá foi credenciado pelo Ibama para reabilitar filhotes de peixes-boi provenientes da caça ilegal ou captura acidental em redes de pesca ao longo da região do médio Solimões, que abrange os municípios de Tefé, Coari, Japurá, Carauari, Fonte Boa, Maraã, Uarini, Alvarães, Jutaí e Juruá. O fator que diferencia o trabalho do Instituto Mamirauá é a localização do seu centro de reabilitação, na bucólica comunidade Bom Jesus do Baré, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã.

O trabalho de reabilitação em ambiente natural foi apresentado durante o X Congresso Internacional de Manejo de Fauna Silvestre, ocorrido entre 14 e 18 de maio em Salta, na Argentina. O evento reuniu cientistas e estudantes de 16 países latino-americanos.

O Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária, conhecido como “Centrinho”, abriga sete filhotes órfãos de peixe-boi. O processo de reabilitação ocorre em ambiente natural, dentro de currais de madeira que flutuam no lago Amanã. Os cuidados com os animais contam com a participação de moradores das comunidades ribeirinhas da Reserva Amanã e com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental.

Durante sua apresentação no Congresso, a oceanógrafa Miriam Marmontel destacou as vantagens da reabilitação em local mais próximo às condições naturais de vida dos peixes-boi. “Todos os dias, são oferecidas plantas frescas aos animais em complemento ao leite, o que só é possível devido à localização do centro em ambiente natural. O curral fica dentro do lago, em água corrente. Ali, os peixes-boi podem escutar os sons da mata, sentir o sol e a chuva e, possivelmente, estão interagindo com peixes-boi nativos”.

Por outro lado, a oceanógrafa afirmou que a localização do centro de reabilitação longe de um núcleo urbano exige muita persistência dos tratadores: exames rotineiros de sangue e fezes dos animais são realizados em um laboratório instalado na própria comunidade. A dificuldade logística para obter medicamentos precisa ser sanada com materiais alternativos, como o uso de mel e ervas locais em processos de cicatrização.

 

Cinco peixes-boi órfãos devem retornar em breve à natureza

O Instituto Mamirauá prepara para o mês de julho a devolução à natureza de cinco peixes-boi, que já foram desmamados. Avaliações clínicas feitas periodicamente no centro de reabilitação indicam que os filhotes estão em boas condições de saúde.

Antes da soltura, os pesquisadores adaptarão um cinto com transmissor de ondas de rádio na cauda dos peixes-boi, que passarão a ser monitorados em vida livre.

Este será o segundo evento de reintrodução da espécie promovido pelo Instituto: há 12 anos, atendendo a uma situação emergencial, pesquisadores do Instituto Mamirauá realizaram a primeira soltura de um peixe-boi reabilitado na Amazônia.

 

Texto: Augusto Rodrigues

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