Protegendo e nutrindo os solos: a serapilheira é tema de pesquisa do Instituto Mamirauá

Publicado em: 29 de novembro de 2017

Resultados de pesquisa sobre a decomposição da camada que protege os solos em florestas de várzea serão apresentados no Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental e Sustentabilidade

Feita de folhas, galhos, flores, frutos, sementes e resíduos animais, a serapilheira é o sistema de entrada e saída de nutrientes no solo. Apesar de tão importante, a serapilheira ainda é pouca estudada nos ambientes de matas da Amazônia conhecidos como várzea ou florestas alagadas. É exatamente esse o foco da pesquisadora do Instituto Mamirauá, Fabiana Oliveira. Ela vai apresentar os resultados mais recentes de seu estudo no Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental e Sustentabilidade, que começa no próximo dia 11 de dezembro, em João Pessoa.

Fabiana, que faz parte do Grupo de Pesquisa em Ecologia Florestal do Instituto Mamirauá, acompanhou nos últimos anos o ritmo de produção e decomposição de serapilheira em três tipos diferentes de várzea: várzea alta, várzea baixa e chavascal. A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no estado do Amazonas, foi o campo de pesquisas. Com um território de mais 1,2 milhão de hectares, quase a totalidade da reserva é formada por florestas que alagam, de acordo com o período do ano e o nível das águas dos rios.

Em 2015, época da estação seca na região, foram distribuídas 240 bolsas de decomposição em 30 parcelas de florestas. A cada período foram retiradas 20 bolsas de cada tipo de várzea, em um total de 60 bolsas por período. As bolsas permaneceram incubadas por 90 dias e, durante esse tempo, foram feitas três coletas.

Já em fevereiro do ano seguinte, na estação cheia dos rios, quando a água invade as florestas, foram instaladas mais 300 bolsas que permaneceram incubadas por 210 dias. No meio tempo, aconteceram mais cinco coletas, além de uma grande coleta quando o experimento completou um ano, em outubro de 2016.

A pesquisa avaliou uma taxa de decomposição de 65% na várzea alta, 66% na várzea baixa e 74% no chavascal após o período de 90 dias de incubação na estação seca. Na cheia, os resultados foram de perda de massa em taxas de 48% na várzea alta, 51% na várzea baixa e 67% no chavascal, após 210 dias. Na coleta de um ano, por sua vez, a perda de massa foi de 25% na várzea baixa, 27% na várzea alta e 52% no chavascal.

“Com isso, os resultados demonstram que a taxa de decomposição para as três fitofisionomias (tipos de floresta de várzea) foi um pouco mais acelerada no período seco. Sendo assim, esses resultados evidenciam a importância de mais estudos sobre a dinâmica de serapilheira no ambiente de várzea, acrescentando sua utilidade na elaboração de projetos de manejo e/ou conservação”, afirmam Fabiana de Oliveira, as também pesquisadoras do Instituto Mamirauá, Mariana Terrôla Martins Ferreira, Tamara Felipim e Auristela dos Santos Conserva e o pesquisador Eduardo André Ribeiro Valim, da Universidade Técnica de Munique, que também assinam o trabalho.

Texto: João Cunha

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