Projeto “Ciência Cidadã” leva o tema da migração de peixes amazônicos a escolas em Tefé, no Amazonas

Publicado em: 25 de de 2018

   Atividades fazem parte do projeto pedagógico Bacia Amazônica: Conectividade, Migrações e Ciência Cidadã e conta com o incentivo do Instituto Mamirauá na região

Duas escolas do município de Tefé, no Amazonas, já trabalharam com o projeto pedagógico Bacia Amazônica: Conectividade, Migrações e Ciência Cidadã. Os professores da escola Colônia Ventura, do bairro Abial, e da escola Nossa Senhora das Graças, da Missão, implementaram o projeto em sala de aula durante o decorrer do mês de setembro. Foi uma oportunidade dos alunos trazerem seus conhecimentos sobre os peixes e aprenderem mais sobre a Bacia Amazônica.

Os próprios professores escolheram as atividades que iriam desenvolver e como aplicariam o material disponibilizado pelo projeto Ciência Cidadã para a Amazônia. Assim, as atividades foram múltiplas e conseguiram incluir questões locais para discutir com as crianças.

“Acreditamos que é importante os próprios professores incluírem essa discussão em sala de aula, incorporando nossa proposta de trabalho e adaptando os nossos materiais para as suas realidades. Esperamos que essa discussão sobre os peixes e a migração, tão importante para o dia a dia das crianças aqui de Tefé, continue nos próximos anos”, menciona Vanessa Eyng, analista de pesquisa do Instituto Mamirauá.

Mapas e meus locais de pesca

Os alunos do 7º ano da escola Nossa Senhora das Graças apostaram em criar seu próprio mapa. Os professores George e André, da disciplina de Geografia, propuseram para a turma trazer o nome dos peixes que eles conhecem e pescam e colocar no mapa onde essas pescas ocorrem. Ao final, construíram em conjunto uma lista com mais de 50 peixes em seu próprio mapa de pesca. Nessa escola, muitos dos alunos pescam e acompanham os familiares em viagens de pesca, e dominam muito bem o assunto.

Assaga, de 15 anos, é um desses alunos pescadores. Ele costuma ir com seu pai e seu avô para os lagos da região, para pescar de anzol, peixes lisos ou miúdos. Os lisos são os bagres e os miúdos são vários tipos de peixes de escama. Em sua maioria, esses são os peixes que realizam migrações de média e longa distância. Trazer esses temas para dentro da escola deixou Assaga animado: “Eu gostei muito de falar sobre os peixes.Eu gostei muito de mostrar no mapa a nossa região e os peixes que a gente pesca”.

Pescaria na prática

Na escola Colônia Ventura a diversão ficou por conta de uma pescaria na prática. Os alunos e alunas trouxeram seus próprios apetrechos de pesca. Nada mais explícito para mostrar como os peixes e a pesca são um tema que faz parte do dia a dia das crianças. Eles foram, junto com os professores, para um igarapé próximo. Mas a pescaria não foi muito boa: só alguns mandis caíram no anzol. Kedson, aluno de 12 anos do 6º ano, foi rápido para se justificar: “Nessa época que começa a secar os peixes saem do igarapé para o rio, aí não tem muito peixe aqui”. Foi uma aula sobre migração na prática.

Você sabia?

Curiosidades sempre chamam a atenção. E nas duas escolas saber que todos os filhotes de surubins nascem como fêmea e só alguns se tornam machos depois impressionou muita gente. Essa curiosidade está em uma pergunta do jogo de tabuleiro “Uma só Bacia” e foi a preferida entre os professores e alunos. Para a professora Ana Cristina da Silva Braga, da Colônia Ventura, o aprendizado foi conjunto.

“Os alunos ficaram muito interessados. Trabalhando esses temas em sala de aula, e trazendo informações de casa, nós aprendemos também junto com eles. Eu espero que esse trabalho não pare por aqui”, completa a professora.  

Quer utilizar esses materiais também?

Os jogos, cartilhas e vídeos que fazem parte do pedagógico Bacia Amazônica: Conectividade, Migrações e Ciência Cidadã, estão disponíveis para download no site do projeto Ciência Cidadã para a Amazônia. Acesse aqui.

O projeto Ciência Cidadã para a Amazônia é resultado do trabalho associado da Wildlife Conservation Society (WCS) e atualmente é composto pelo Laboratório de Ornitologia de Cornell, Florida International University, Conservify, Instituto Mamirauá, Instituto del Bien Común, San Diego Zoo Global, Fab Lab Perú, Ecoporé, Sapopema, Universidad San Francisco of Quito, Rainforest Expeditions, Fundação Universidade Federal de Rondônia, Institut de Recherche pour le Développement, Universidad de Ingeniería y Tecnología, Instituto Sinchi, ACEER, CINCIA, ProNaturaleza, Instituto de Investigaciones de la Amazonía Peruana, Institute for Global Environmental Strategies, Earth Innovation Institute, FAUNAGUA, e Fundación Omacha.

O Ciência Cidadã também colabora com redes como a Iniciativa Águas Amazônicas, o Projeto Amazon Fish, Rios Vivos Andinos, Amazon Dams Network e International Rivers. O projeto é possível graças ao generoso apoio da Fundação Gordon e Betty Moore.

Texto: Vanessa Eyng

 

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