Professores da Reserva Amanã participam de oficinas de Educação Ambiental

Publicado em: 14 de julho de 2016

A educação rural, nas escolas localizadas em comunidades ribeirinhas do Amazonas, possui uma realidade bastante particular. Incentivar o envolvimento de diversos atores das comunidades nas práticas educativas pode resultar na valorização do conhecimento tradicional e contribuir para o compartilhamento de saberes sobre a floresta, as águas, os animais e as plantas locais. É o que acreditam os educadores ambientais do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Em maio, foram lançadas duas cartilhas de educação ambiental, uma voltada para os professores e outra para utilização dos alunos, durante as aulas. A equipe de Educação Ambiental do Instituto esteve em algumas comunidades para realizar oficinas de formação com os professores.

A educadora ambiental Eliane Neves comentou sobre os desafios para a educação rural nesse contexto. Como é o caso das turmas multisseriadas, uma realidade comum na região, na qual o professor trabalha com turmas que possuem alunos em diferentes idades e ano escolar, um desafio para os professores adequarem o planejamento das aulas diante da diversidade da turma. “A oficina tem como objetivo principal que o professor possa pensar a realidade da escola rural e, a partir desta realidade, explorar o ambiente vivido nas aulas, usando os espaços da comunidade. E também como fazer dessa possibilidade, um meio de trabalhar com turmas multisseriadas”, enfatizou Eliane.

As oficinas já foram realizadas com 47 professores de oito comunidades em maio. E 25 professores de outras sete comunidades em junho, ambas comunidades localizadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã. Vilmar de Souza é professor há 18 anos e participou das oficinas. “Nós somos antigos na educação e a cada dia estamos aprendendo, junto com os outros colegas e também através dessa oficina. Essas metodologias vão melhorar nosso trabalho e facilitar o aprendizado das crianças, dos adolescentes e dos adultos também”, afirmou.

Durante as oficinas, os educadores ambientais apresentaram o projeto “Viveiros Educativos”, uma proposta de interação entre a escola e comunidade para trabalhar e refletir sobre os recursos naturais. Entre as atividades, que podem ser desenvolvidas nos viveiros, está o plantio de mudas de plantas importantes para a comunidade. De acordo com Eliane, as oficinas foram uma oportunidade de trabalhar a proposta de utilização dos espaços da comunidade nas aulas práticas e também diferentes formas de ensinar em turmas multisseriadas.

“No dia a dia da escola, as figuras do professor e do aluno são as que resumem o processo de participação escolar. Mas a escola para acontecer é preciso mais que estes atores, portanto, integrar mães, pais e comunidade, no espaço escolar, é estabelecer o princípio de escola cidadã, em que a escola é espaço integrador da comunidade para discussão de direitos e deveres e de incentivo à produção do saber”, disse Eliane.

A educadora ambiental reforça que, no caso das escolas rurais das comunidades ribeirinhas amazônicas, aliar os diferentes atores da comunidade às atividades educativas pode garantir bons resultados, como a valorização do conhecimento tradicional. “Participando desses processos, a comunidade também pode exigir melhorias para a escola, cobrar do poder público que a escola para seus filhos e netos seja uma escola de qualidade, adequada tanto na estrutura quanto no respeito aos conhecimentos e costumes das comunidades”, concluiu.

As cartilhas estão disponíveis para download gratuito no site do Instituto Mamirauá. Essa ação conta com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Texto: Amanda Lelis

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