Produtividade de copaíba na Reserva Amanã é avaliada em pesquisa do Instituto Mamirauá

Publicado em:  4 de agosto de 2016

Utilizado para prevenir infecções, melhorar inflamações e contra dor de garganta. Muitos são os usos tradicionais do óleo de copaíba, conhecido pelos seus benefícios medicinais, é também uma alternativa de renda em muitas regiões do país. No Instituto Mamirauá, uma pesquisa científica inventariou as copaibeiras em áreas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã e busca avaliar a produtividade das árvores da região. Os dados visam subsidiar o plano de manejo da unidade de conservação.

A engenheira florestal do Instituto Mamirauá - unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações -, Emanuelle Raiol, ressalta que a análise de produtividade dessas espécies pode contribuir para a atualização do plano de manejo das unidades de conservação. “Um dos objetivos dos planos de manejo é avaliar também os produtos florestais não madeireiros. E para fazer um plano de manejo, como a região tem esse recurso, a gente precisa dessa informação de produtividade. E além disso, as informações contribuem para o próprio manejo da espécie pela comunidade, caso queira investir na atividade. As comunidades já têm um produto no qual podem usufruir tanto economicamente quanto para subsistência”, comentou.

Para a pesquisa, foram inventariadas as áreas de copaibeiras da Reserva Amanã, para que seja feita a análise de produtividade dessas áreas. Foram escolhidas 18 árvores para a coleta do óleo e realizadas coletas botânicas para análise. Durante o procedimento, é feito um furo na árvore, quando há óleo, é instalada uma mangueira até um balde, que são deixados na localidade por 24 h para que o óleo escorra. 

“O trabalho com a copaíba é bem variado. Na literatura, existe que a produtividade varia em função do tamanho de copa, da qualidade do solo, da entrada de luminosidade, são vários fatores que podem influenciar, acredita-se que cada região responde de uma forma diferente. Por isso, a gente vai fazer a avaliação em função do tamanho da árvore, considerando árvores de tamanhos menores, intermediários e também maiores. Todas as árvores escolhidas têm mais de 30 cm de diâmetro à altura do peito”, explicou Emanuelle.

Manejo

Como parte das atividades da pesquisa, no mês de junho, os comunitários das reservas Amanã e Mamirauá participaram de uma Oficina de Boas Práticas de Extração de Óleo de Copaíba. Nos dois dias de oficina, os participantes aprenderam a prática da extração da copaíba e participaram de uma discussão sobre as possibilidades do desenvolvimento dessa atividade na região. A oficina foi realizada pelo Instituto Mamirauá em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) na comunidade Ubim, localizada na Reserva Amanã.

 

Participaram 11 comunitários da Reserva Amanã. A oficina foi dividida em duas etapas, na primeira os participantes tiveram uma apresentação teórica sobre assuntos como os passos para a construção de um sistema de manejo, legislações, planejamento para extração do óleo, modos e recipientes adequados para o armazenamento, mercados para venda do óleo, entre outros. Na segunda parte de oficina, os participantes foram à campo para uma aula prática de extração do óleo de copaíba, na qual foram abordados temas como medição da circunferência das árvores, que ajuda na identificação de árvores adequadas para a extração, avaliação da sanidade das árvores e extração.

Emanuelle comentou que desde o início do projeto foi observado o interesse dos comunitários por esse recurso natural, o óleo de copaíba. Ela destacou que houve grande envolvimento dos comunitários, que se organizaram e buscaram as áreas onde estavam localizadas as copaibeiras. “Na oficina apresentei os resultados da pesquisa e a interação foi interessante para esclarecer se esse extrativismo seria mais uma fonte de renda para a comunidade. O que mais ouvimos é que o mais interessante para eles é saber que o recurso existe, usufruí-lo de forma que ele não se acabe, pelo manejo, a fim de que seus filhos e netos também possam tê-lo no futuro, inclusive numa perspectiva de realizar o plantio da espécie”, destacou Emanuelle.

Nas comunidades da região, é tradicional o uso do óleo como remédio. A professora Raimunda Jucinéia comentou que a comunidade valoriza a extração do óleo para utilização pelas famílias, que seria o foco principal dessas comunidades. "Se a gente conseguir fazer nosso próprio shampoo e nosso próprio sabão com esse óleo, isso vai ser muito legal. Porque aí a gente não vai ter que comprar”, disse.

A comunidade Ubim, que recebeu a oficina, ganhou um “kit manejador”, composto por materiais como trado, canos, mangueiras e um balde, para que possam extrair o óleo de copaíba obedecendo as boas práticas apreendidas durante a oficina. 

Luiz Rocha Maciel, do Idam, disse que a oficina possibilitou despertar nos participantes a transformação de ideias em atividade produtiva e rentável para a comunidade. “Os participantes se mostraram bastante interessados pelo assunto, existe pessoas que já extraíram óleo de copaíba tem conhecimento só faltava aprimorar algumas técnicas, mostramos para os mesmo que temos um produto na floresta que pode ser extraído através do manejo sustentável, sempre com muito cuidado para não gerar expectativa”, disse Luiz.

De acordo com o extensionista, além da troca as experiências, os participantes perceberam uma possibilidade diferenciada, que pode gerar renda. “Como próximo passo, seria bom continuar realizando o potencial de copaibeiras que existe na região, para que podemos ter embasamento técnicos de uma estimativa de copaíba que temos para trabalhar futuramente”, comentou.  

Essa ação conta com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Texto: Amanda Lelis

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