Pesquisas sociais são apresentadas durante congresso no Chile

Publicado em: 11 de outubro de 2013

Pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Mamirauá foram apresentadas no XXIX Congresso Latino Americano de Sociologia (ALAS), realizado no período de 29 de setembro a 04 de outubro, na cidade de Santiago, no Chile. O congresso foi voltado à temática “Crises e emergências sociais na América Latina”.

A pesquisadora Dávila Corrêa, socióloga do Grupo de Pesquisa Populações Ribeirinhas, apresentou a pesquisa intitulada "Mediações das políticas públicas e as populações jovens de pequenos agrupamentos populacionais amazônicos". O objetivo da pesquisa é problematizar e refletir sobre os efeitos do desenvolvimento, decorrentes das ações institucionalizadas por políticas de Estado, nos processos sociais locais, trazendo novas perspectivas à vida dos jovens.

O estudo aborda a situação social de jovens ribeirinhos moradores de Vila Alencar, uma localidade situada nos limites da Reserva Mamirauá, na Amazônia, com dados de campo referentes aos anos de 2006 a 2011. O trabalho demonstrou que demograficamente, tanto Vila Alencar quanto as demais localidades da Reserva Mamirauá, apresentam características de uma população predominantemente jovem.

Segundo a pesquisadora, o desenvolvimento de políticas no âmbito do meio rural coloca em questão o futuro dos jovens rurais. “As novas compreensões e significados que os jovens atribuem ao modo de vida rural é mediada pelas mudanças de atuação do Estado, seja pela presença em forma continuada de políticas educacionais e de políticas de desenvolvimento social onde se incluem os programas de transferência de renda”, concluiu Dávila.

A pesquisadora Ana Claudeise Nascimento, socióloga e Vice-líder do Grupo de Pesquisa Populações Ribeirinhas, apresentou dois trabalhos, o primeiro intitulado Aspectos sociais do uso da iluminação solar fotovoltaica domiciliar em comunidade rural no Estado do Amazonas/Brasil e o segundo intitulado Aspectos sociodemográficos de moradores jovens da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã.

O primeiro trabalho teve como objetivo refletir sobre a implementação de projetos de difusão de tecnologia solar fotovoltaica em comunidades ribeirinhas, analisando os processos de mudanças sociais e tecnológicas em comunidade rural.

“Foram implantados 23 sistemas fotovoltaicos na comunidade rural de São Francisco de Aiucá localizada na Reserva Mamirauá. A partir de sua instalação foi possível conhecer mecanismos socioculturais de aceitação e utilização dessa tecnologia por parte das famílias envolvidas”, informou Ana Claudeise.

A experiência é resultado de um projeto financiado por fundos setoriais, para atendimento de comunidades isoladas na região Norte, proposto pelo Instituto de Energias Renováveis (IEE) da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Instituto Mamirauá. Essa experiência ficou caracterizada por seu efeito demonstrativo que pode ser utilizado em sistemas isolados de geração de energia.

O segundo trabalho apresentado teve como objetivo analisar os aspectos sociodemográficos da população jovem de 15 a 24 anos de idade moradoras da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (RDSA), estado do Amazonas, Brasil. O estudo comparou os dados demográficos de 2006 e 2011 em relação à composição por sexo e idade, níveis de escolarização, estrutura domiciliar, religião e comportamento migratório. O estudo também apresentou uma breve descrição sobre as atividades desses jovens participantes de uma forma de organização social estruturada no uso comum de recursos naturais.

A pesquisadora Marília Sousa, antropóloga do Grupo de Pesquisa Territorialidades, Identidades e Gestão Ambiental, apresentou no GT sobre Gênero, cidadania e desigualdades, o trabalho intitulado Família, relações gênero e poder: trajetória de grupo de artesãs da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã – Médio Solimões, que traz uma análise  sobre como as relações de gêneros são impactadas. A pesquisadora procura descrever e analisar etnograficamente a trajetória política de um Grupo de Artesãs formado por 23 mulheres moradoras de cinco comunidades ribeirinhas situadas na Reserva Amanã.

As principais referências de mudanças analisadas são no campo das relações sociais de gênero; nas formas de sociabilidade das mulheres; no contexto familiar; no processo de engajamento político e nas formas de atuação das mulheres nos diferentes espaços decisórios que discutem acesso e gestão dos recursos naturais.

O contexto de constituição do trabalho deste grupo caracteriza-se pela atuação das mulheres  na gestão da produção e comercialização de artesanatos confeccionados com uma fibra vegetal denominada de cauaçu (Calathea lutea). Para agregar valor aos artesanatos, as “talas de cauaçu”, como são chamadas pelas artesãs, são tingidas com corantes naturais extraídos de uma variedade de plantas (crajiru, safrôa, anil e urucu). Os produtos artesanais são comercializados pelas artesãs no mercado local, regional e nacional.

A experiência deste grupo se estende por mais de uma década de caminhos trilhados, e muitos desafios enfrentados. Assim, afirma-se que a organização do grupo e, a produção sistemática de artesanato conduziu as mulheres a um processo de “encorajamento coletivo” que as situou de modo mais visível no panorama político e econômico local. Isto significa que houve alterações nas relações sociais e, ao mesmo tempo criou-se relações de poder diferenciadas das que já existiam antes da formação do grupo.

Texto: Francisco Rosa

 

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