Pesquisas do Instituto Mamirauá são apresentadas em congresso de agricultura em Cuba

Publicado em: 19 de julho de 2016

Pesquisadores do Instituto Mamirauá participaram do V Congresso de Agricultura Tropical, realizado no Palácio das Convenções em Havana, em Cuba. Os pesquisadores do Instituto apresentaram resultados das pesquisas sobre a conversão de áreas florestais para pecuária e sobre a agricultura migratória na Reserva Amanã (AM). O congresso foi realizado entre os dias 30 de maio e 03 de junho e fez parte da programação da Convenção dos Trópicos 2016. O evento reuniu especialistas de várias áreas, como ecologia, geografia, biologia, sociologia, engenharia ambiental, para palestras e minicursos.

A ideia do encontro foi reunir especialistas para discutir e apresentar soluções para mitigar os efeitos negativos das mudanças climáticas para o meio ambiente e para a sociedade. Felipe Reis, pesquisador do Instituto Mamirauá - unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações - apresentou alguns resultados do monitoramento do uso do solo para atividade pecuária na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã. “Estamos vendo mudança nesta atividade rural nos últimos anos em função das grandes cheias. Assim, acreditamos que o aquecimento global pode estar influenciando a dinâmica da atividade na Reserva Amanã”, disse o pesquisador.

Para o projeto de pesquisa, foi realizado levantamento de dados populacionais do rebanho e georreferenciadas as áreas florestais convertidas em pastagem. O levantamento foi feito na unidade de conservação nos anos 2005, 2010 e 2014. Nos dois primeiros levantamentos, eram cerca de 700 animais e, no último, cerca de 570. A pesquisa demonstrou uma baixa taxa de ocupação, com uma média de 0,23 cabeças de gado por hectare.

Neste ano, o projeto iniciou uma nova etapa. Em uma unidade demonstrativa, está sendo testado o Pastoreio Racional Voisin. Os criadores de gado da Reserva Amanã participaram de oficinas de manejo agroecológico. A iniciativa propõe um revezamento entre áreas de pasto para os animais e visa a manutenção da atividade pelos comunitários, com a possibilidade de diminuição da conversão de espaços da floresta nativa para pastagens.

Sensoriamento remoto

Jéssica dos Santos, também pesquisadora do Instituto Mamirauá, apresentou o mapeamento da expansão da agricultura migratória, adotada entre moradores de comunidades tradicionais da região do Médio Solimões. O monitoramento de atividades agrícolas ocorre desde 2009, em comunidades das Reservas Mamirauá e Amanã. Para ter um entendimento melhor sobre o uso que as comunidades fazem de suas áreas, imagens de satélite e análises de sensoriamento remoto complementam os dados levantados em campo pelo monitoramento das atividades agroflorestais e de pastoreio.

“Foi testada a metodologia de monitoramento realizada pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) para a Amazônia, porém, focada nas necessidades e realidade da Reserva. Para isso, foram utilizadas imagens do satélite Landsat 5 e 8, dos anos de 2005 e 2015, e os dados coletados em campo pelo projeto no ano de 2014, para subsidiar as análises. A análise procurou utilizar também softwares de processamento digital de imagens gratuitos”, comentou Jéssica.

A pesquisa trabalha com duas vertentes. Uma delas é a análise apurada de caracterização e diagnóstico da prática agropecuária na unidade de conservação a partir dos sensores orbitais com alta resolução espacial, que permitem melhor detalhamento das imagens. E a outra vertente é testar metodologias com imagens de média resolução e gratuitas, que possam servir como base para um monitoramento contínuo e barato, o que garantiria que o monitoramento seja feito constantemente, sem a dependência de grandes financiamentos. Essa segunda parte do trabalho teve os resultados apresentados em Cuba.

“Este trabalho, quantificou a expansão das áreas alteradas pela conversão de habitat pela agricultura no setor Amanã. Durante esse período, a metodologia se mostrou eficiente para mapear estas áreas, porém, é preciso ainda avaliar outras possibilidades”, contou a pesquisadora.

A Convenção reuniu vários congressos. Jéssica considerou positiva a participação no evento e o contato com pesquisadores de outras regiões. “As mudanças climáticas e as adaptações da sociedade, em diferentes vertentes as essas alterações, foram o foco principal do evento. Foi uma oportunidade de trocar experiências e ver a realidade de outros lugares perante a esta temática tão global, e as discussões e demandas que têm sido levantadas na América Latina. Também foi muito bom conhecer, mesmo que superficialmente, Cuba e suas particularidades que despertam tantas estórias e opiniões antagônicas”, completou Jéssica.

As duas pesquisas apresentadas no Congresso fazem parte de ações financiadas pelo Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Texto: Amanda Lelis

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