Pesquisadores do Instituto Mamirauá recebem prêmio em congresso internacional de etnobiologia

Publicado em: 15 de agosto de 2018

Premiação foi entregue aos pesquisadores Mariana Cassino e Caetano Franco durante o XVI Congresso da Sociedade Internacional de Etnobiologia, em Belém

Uma equipe de pesquisadores do Instituto Mamirauá recebeu o prêmio “Darrell Posey”, que reconheceu os melhores trabalhos apresentados durante o congresso, realizado na capital paraense entre os dias 07 e 10 de agosto. O artigo, chamado “Paisagens culturais da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã: identificação de florestas úteis na região do sítio arqueológico Boa Esperança, Amazonas, Brasil”, venceu na categoria “Outros”, dada a pesquisadores titulares, bolsistas e demais profissionais da ciência.

O prêmio é uma homenagem ao antropólogo e biólogo norte-americano Darrell Posey (1947-2001), figura de ponta para os estudos e ações conjuntas com populações indígenas, apontando a importância dos saberes e estilos de vida desses povos para a conservação do meio ambiente.

A premiação foi entregue à primeira autora do estudo, Mariana Cassino, e ao segundo autor, Caetano Franco, presentes no evento representando o grupo de cientistas. O trabalho também é assinado pelos pesquisadores Eduardo Kazuo, Márcio Amaral e Márjorie Lima, do Laboratório de Arqueologia do Instituto Mamirauá, por Sara Deambrozi, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), e por Guilherme Freire, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Floresta cultural e humanizada

O trabalho premiado traz novas evidências que reforçam a influência dos antigos povos que habitaram a Amazônia por milhares de anos, antes mesmo do contato e colonização europeia. A ideia de “floresta virgem e intocada” está sendo descontruída em trabalhos como esse, feito na comunidade Boa Esperança, região do Médio Solimões, Amazonas. O local abriga um sítio arqueológico, com um histórico de ocupação de cerca de 3000 anos.

Os pesquisadores identificaram “locais de concentração de espécies úteis nas áreas de uso da comunidade”, buscando “potenciais legados das populações passadas e práticas atuais de uso e manejo dessas espécies”. Com a cooperação dos moradores da comunidade, encontraram mais de 20 pontos repletos dessas espécies úteis, o que indica uma continuidade de uso da terra, passada por povos e gerações.

São espécies como o cacau (Theobroma cacao) e o tucumã (Astrocaryum aculeatum), de grande importância alimentar e cultural, cultivadas e que ajudaram a formar a paisagem da floresta como conhecemos hoje. “Muitas espécies são manejadas pela população atual, sugerindo a persistência de antigas práticas culturais”, afirmam os autores.

A pesquisa é realizada com financiamento da Fundação Gordon and Betty Moore, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), do qual o Instituto Mamirauá é uma unidade de pesquisa.

Reconhecimento

Mariana Cassino foi uma das pesquisadoras líderes do trabalho, investigando as relações entre os usos de terra por populações do passado e as continuidades com o presente. “Ficamos muito felizes em receber este reconhecimento durante um evento tão especial”, afirma. “Buscamos viabilizar a contribuição dos povos indígenas do passado para a criação das paisagens atuais da Reserva Amanã e a importância dos moradores atuais para a manutenção dessas paisagens”.

“Receber este prêmio foi muito importante para validar os esforços que estamos empregando em se fazer dialogar diferentes áreas do conhecimento. Ainda mais em um evento como este, que discutiu amplamente a importância das comunidades locais para a conservação e manutenção dos recursos naturais e das paisagens na Amazônia”, ressalta o geógrafo Caetano Franco.

Belém+30

Trinta anos depois, o Congresso Internacional de Etnobiologia retorna à cidade onde nasceu, Belém. Na época, o evento criou a Declaração de Belém, documento que foi um marco “na conexão entre os povos tradicionais e a biodiversidade, reivindicando seus direitos sobre territórios, recursos naturais e conhecimentos ancestrais”.

Realizado no Hangar Convenções & Feiras da Amazônia, o XVI Congresso da Sociedade Internacional de Etnobiologia – “Belém +30” levou à capital paraense mais de 2500 pessoas, incluindo mais de 1000 representantes de populações tradicionais e indígenas de todas as partes do mundo. 

Texto: João Cunha

 

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