Pesquisadores do Instituto Mamirauá participam de congresso internacional de primatologia

Publicado em: 22 de agosto de 2016

Três pesquisadores do Instituto Mamirauá estão em Chicago, nos Estados Unidos, para participar do 26º Congresso  da Sociedade Internacional de Primatologia e a 39ª reunião da Sociedade Americana de Primatologistas, que reunirá especialistas de diversas instituições para palestras, exposições de trabalhos, workshops e outras atividades. O Congresso será realizado entre os dias 21 e 27 no Lincoln Park Zoo, em Chicago.

Os trabalhos que serão apresentados pela equipe do Instituto - unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações -, reúnem resultados de pesquisas com diferentes espécies de primatas, realizadas pelo Grupo de Pesquisa em Ecologia de Vertebrados Terrestres.

Um dos trabalhos apresentados é o da pesquisadora do Instituto Mamirauá, Fernanda Paim, que expõe os resultados do estudo que demonstrou como a disponibilidade de recursos podem interferir na dieta e comportamento de uma espécie de primata endêmica da Reserva Mamirauá (AM), o macaco de cheiro da cabeça preta (Saimiri vanzolinii). A espécie foi descrita pela primeira vez na década de 1980 pelo primatólogo José Márcio Ayres, fundador do Instituto Mamirauá.

Esse é o primeiro estudo sobre a ecologia alimentar dessa espécie. A pesquisadora destaca que é um passo para compreender de que forma os animais utilizam os recursos naturais e quais as principais espécies fazem parte da sua alimentação. “A gente esperava que o consumo de frutos pelos macacos de cheiro fosse maior no período de águas altas e realmente foi.  Mas, ao mesmo tempo, esperávamos que o consumo de artrópodes, como aranhas e outros insetos, fosse maior no período de águas baixas, mas não foi. Não existe diferença significativa no consumo de artrópodes entre as estações”, comentou Fernanda. O estudo também demonstrou que a locomoção dos animais é maior no período da seca, oq ue significa que eles precisam andar mais em busca dos alimentos. Esse também é o período em que a oferta de frutos é menor e consequentemente menor o consumo de frutos pela espécie.

O pesquisador Felipe Ennes apresentará a pesquisa que buscou avaliar a abundância do Mico Marcai na bacia do rio Aripuanã, entre o sul do estado do Amazonas e o Mato Grosso. “Este trabalho teve como objetivo verificar a presença dessa espécie, registrar a diversidade de primatas na região do médio rio Aripuanã, e verificar as principais ameaças potenciais”, disse Felipe. A pesquisa apresenta uma visão geral das principais ameaças à espécie e propõe uma reavaliação do seu estado de conservação. O estudo demonstrou que a distribuição da espécie compreende uma área total de 48.895 km² entre os rios Marmelos e Aripuanã e ocorrem a uma densidade de 8,3 animais por km².

A pesquisadora Lisley Gomes foi selecionada para participar do workshop do programa de treinamento pré-congresso. Além do treinamento, Lisley também apresenta em pôster, os resultados da pesquisa desenvolvida no Instituto Mamirauá que testou um método de amostragem de primatas na Amazônia e avaliou a relação de custo-benefício da técnica aplicada pela equipe na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã e a partir de um compilado na literatura.

O Método de Amostragem de Distâncias é utilizado pelos pesquisadores para monitorar a abundância de animais, ou seja, o número de animais presentes em uma área. Os animais avistados ao percorrer uma trilha, delimitada pela equipe, são registrados através do método, para que posteriormente seja feito o cálculo de abundância. Esse estudo demonstrou que o método é eficaz em custo-benefício para monitorar a maioria dos primatas diurnos amazônicos, enquanto para outras espécies ameaçadas de vertebrados terrestres, a metodologia não garantiu resultados confiáveis, o que sugere, de acordo com os pesquisadores, a necessidade de mais estudos que busquem novas alternativas para o monitoramento dessas espécies.

Texto: Amanda Lelis

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