Pesquisadores do Instituto Mamirauá apresentam resultados de trabalhos em congresso internacional de manejo de fauna

Publicado em:  8 de setembro de 2014

Pesquisadores do Instituto Mamirauá participaram do “Congresso Internacional de Manejo de Fauna na Amazônia e na América Latina”, que aconteceu entre os dias 17 e 22 de agosto em Trinidad e Tobago. O congresso é realizado há vinte anos, e bienalmente reúne especialistas de diversas regiões do mundo. Em 2014, o evento foi realizado no campus da Universidade de West Indies (UWI) e da Universidade de Trinidad e Tobago (UTT) e reuniu cerca de 300 pessoas. Apresentações, palestras, cursos e viagens de campo fizeram parte da programação.
 
O tema central dessa edição foi "Alternativas Sustentáveis, Métodos de Conservação e Utilização de animais neo-tropicais". Três pesquisadores do Instituto Mamirauá apresentaram os resultados de suas pesquisas, realizadas ao longo dos últimos anos. Um dos trabalhos apresentados pelo pesquisador Robinson Botero-Arias trata sobre a mortalidade de jacarés e botos associada à pesca da piracatinga na região do Médio Solimões. 
 
A pesquisa apresentada por Thaís Morcatty teve como base o monitoramento da caça de jabutis para consumo e comércio por comunidades tradicionais da Amazônia brasileira, realizado pelo Instituto há 11 anos nas Reservas Mamirauá e Amanã. “Nesse trabalho, avaliei o perfil da caça pelas comunidades, em quais os ambientes a atividade acontece, terra firme ou várzea, como acontece o comércio e onde ele está situado, além da sustentabilidade do uso da espécie”, afirma Thaís, uma das autoras do estudo. 
 
O monitoramento foi realizado em dez comunidades rurais pertencentes às Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã. De acordo com a pesquisadora, conciliar a atividade da caça à conservação ainda é um grande desafio, especialmente quando o comércio está envolvido. “É preciso considerar as necessidades e a cultura tradicional dos ribeirinhos amazônicos”, reforçou Thaís.
 
Hani Bizri apresentou sua pesquisa sobre o monitoramento das atividades de caça de pacas na Reserva Amanã. O estudo propõe avaliar a sustentabilidade do uso das pacas pelas comunidades, além de investigar um novo método para monitorar as populações desses animais. “Atualmente, não existe uma estratégia de monitoramento de pacas. Sabemos que o principal uso da espécie pelas comunidades é para a subsistência. Estudamos estratégias para monitorar e avaliar a sustentabilidade da caça de paca, para atuar a favor da conservação da espécie na Amazônia”, destaca o pesquisador.
 
 “A discussão nesse congresso é ampla, com participação de uma comunidade científica com o mesmo perfil que o Instituto, por isso foi muito importante participar. É uma oportunidade de troca de conhecimento na mesma área que atuamos. Vimos que muitos pesquisadores da América Latina lidam com as mesmas dificuldades que nós, encontram empecilhos nos estudos de uso da fauna., Essas experiências servem como referência para nossos trabalhos”, ressaltou Hani. 
 
De acordo com os pesquisadores, o retorno tem sido positivo. Novas parcerias poderão surgir para o desenvolvimento de atividades conjuntas com outras instituições. “Já estamos em contato com diversas equipes de pesquisa de outros países para continuarmos discutindo as propostas. Todas essas potenciais parcerias surgiram a partir do interesse dos especialistas nos trabalhos que apresentamos no Congresso”, afirmou Thaís. 
 
Pesquisas que são desenvolvidas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, com apoio do Instituto Mamirauá, também foram apresentadas no Congresso pela equipe do Instituto Piagaçu (IPi). Os programas de Manejo dos Recursos Pesqueiros, Conservação dos Quelônios Amazônicos, Manejo e Uso da Fauna e Aves Cinegéticas participaram do evento com cinco apresentações orais e um pôster.
 
Texto: Amanda Lelis

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