Pesquisa sobre biodiversidade agrícola será apresentada em simpósio na Bahia

Publicado em: 18 de novembro de 2016

Entre 22 e 27 de novembro a pesquisadora do Instituto Mamirauá, Júlia Ávila, expõe parte dos resultados do seu estudo no XI Simpósio Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia e I Festival de Sementes Crioulas da Bahia, realizado em Feira de Santana. A apresentação, feita em pôster, será sobre a pesquisa realizada no Instituto Mamirauá - unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicaçãoes -, que avalia as práticas e a biodiversidade da produção agrícola dos agricultores familiares das comunidades ribeirinhas das Reservas Amanã e Mamirauá.

Um dos objetivos da pesquisa é compreender as práticas agrícolas locais e investigar se os contextos socioeconômicos, ambientais e políticos podem influenciar na biodiversidade da produção agrícola, que a pesquisadora denomina de agrobiodiversidade. “Vivemos em um cenário global em que padrões ditam nosso consumo diário, inclusive de alimentos, o que pode reduzir saberes e usos de plantas pela população. As monoculturas, por exemplo, conferem risco à segurança alimentar do agricultor ou agricultora, que não consegue ter uma alimentação diversificada a partir de sua produção e, dificilmente, consegue produzir sem uso de adubo químico e agrotóxicos, acarretando impactos na saúde humana e na qualidade do ambiente, quando comparados ao plantio agrobiodiverso”.

Para o desenvolvimento do trabalho, as famílias de agricultores de cinco comunidades ribeirinhas participaram de questionários em diferentes períodos: um deles entre 2009 e 2011 e o outro entre os anos de 2012 e 2015. Até o momento, foi observado um aumento da riqueza de espécies cultivadas nas comunidades.

No primeiro período, a riqueza de espécies das comunidades foi de 46, com destaque para a produção de açaí, cupuaçu, pupunha, banana e castanha-da-Amazônia. Enquanto no segundo período, foi de 66 espécies, com destaque para o cultivo de banana, cará, abacate, abacaxi e açaí. No entanto, a pesquisadora destaca que ainda é cedo para afirmar essa alteração. “Até o momento, conseguimos identificar que as mudanças na agrobiodiversidade estão acontecendo localmente em momentos temporais distintos. Porém, análises estatísticas estão em andamento para verificar se tais diferenças são significativas. Posteriormente, tentaremos compreender o que influencia nas mudanças observadas”, disse.

Além disso, Júlia destaca que as comunidades respondem de formas diferentes às questões ambientais, como cheias extremas, e também às questões socioeconômicas. Os resultados por comunidade são distintos, apontando em alguns casos o aumento da diversidade de espécies e em outros pouca ou nenhuma alteração entre os dois períodos (veja no gráfico). “Pesquisas apontam que fatores socioeconômicos, da paisagem e ambientais influenciem na agrobiodiversidade, porém sabe-se que isso depende do contexto local”, completou a pesquisadora.

Nessas localidades, os agricultores cultivam uma diversidade de espécies para consumo próprio da família e também para comercialização entre os moradores da região ou em feiras locais. Grande parte da produção, de acordo com a pesquisadora, é cultivada há muitas gerações, sem a utilização de agrotóxicos e adubos químicos. “Isso garante maior segurança alimentar, que envolve: qualidade para quem produz, para quem consome os produtos agrícolas e para o ambiente como um todo”, comentou. 

Esse projeto conta com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) para o pagamento de bolsas de estudo.

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