Pesquisa do Instituto Mamirauá testa alternativa de saneamento para comunidades ribeirinhas

Publicado em:  3 de maio de 2017

O acesso às políticas públicas de saneamento nos municípios do Amazonas ainda se constitui como um desafio. Nas comunidades ribeirinhas, em função do ciclo de enchente e vazante, encontrar uma alternativa viável para este fim é ainda mais complexo. Um projeto de pesquisa do Programa de Iniciação Científica (Pibic) do Instituto Mamirauá está avaliando a eficiência de um modelo de sanitário seco. A proposta é que, após atestada a eficácia desta tecnologia social, o modelo possa ser adotado em comunidades do interior do estado, como uma alternativa de saneamento para estas populações.

A bolsista Pibic Sênior responsável pela pesquisa, Cláudia de Lima, é de Tefé e está cursando o 5º período em Ciências Biológicas na Universidade do Estado do Amazonas. De acordo com a bolsista, na pesquisa, é avaliada a eficiência do uso de cinzas e serragem para a desidratação dos dejetos e diminuição de patógenos. “Eu amo parasitologia. E como o projeto envolvia análise de parasitas, eu me identifiquei. E também por poder mudar a situação em que a gente vive, com alternativas ecológicas, principalmente em termos de saneamento”, disse.

Cláudia enfatiza que a pesquisa visa apresentar uma tecnologia viável e barata que possa ser aplicada no contexto amazônico, considerando as particularidades ambientais e sociais da região. “É muito bom poder ajudar as pessoas, em termos de comunidade e ambiente. Geralmente, nas comunidades, são sanitários em céu aberto ou em fossas”, contou a bolsista.

Melhorias para a região

O último Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos, divulgado anualmente pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento do Ministério das Cidades, apontou que apenas 8,7% dos municípios da região Norte atendiam a população, de zona urbana e rural, com coleta de esgoto em 2015. Desse montante de esgoto coletado, 83, 9% é tratado. No entanto, do valor total de esgoto gerado nestas cidades, considerando também a quantia que não é coletada pelo poder público, apenas 16,4% é tratado, e o restante seria devolvido à natureza sem tratamento.

Os dados reforçam a importância de projetos como o desenvolvido por Cláudia, que investigam alternativas viáveis que podem ser implantadas pelas famílias em seus domicílios. Por meio dos projetos de iniciação científica, ela e outros jovens do município estão buscando soluções para as demandas da população, em relação à melhoria da qualidade de vida e à conservação ambiental.   

“Acreditamos que o sucesso do programa na instituição vem da dedicação dos participantes, do reconhecimento do Instituto como uma referência na região e da característica dos projetos de pesquisa, que tratam de temas aplicados à realidade dos estudantes”, comentou Maria Cecília Gomes, que é coordenadora do Programa de Iniciação Científica Sênior do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Este programa conta com o apoio do MCTIC para pagamento de bolsas de estudo.

Texto: Amanda Lelis

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