Pesquisa do Instituto Mamirauá é premiada em congresso de zootecnia

Publicado em: 20 de maio de 2014

Os pesquisadores do Instituto Mamirauá, Diogo Lima Franco, Robinson Botero-Arias e Miriam Marmontel, tiveram o trabalho “A caça de jacarés para utilização como iscas para pesca da piracatinga na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá” premiado durante o 24º Congresso Brasileiro de Zootecnia, realizado de 12 a 14 de maio, em Vitória, no Espírito Santo. A pesquisa teve por objetivo realizar o levantamento da caça ilegal e o uso local de jacarés amazônicos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.
 
A coleta de dados ocorreu entre março e dezembro de 2013, quando foram visitadas 55 comunidades ribeirinhas pertencentes a 11 setores políticos existentes na Reserva Mamirauá. Foram realizadas expedições com duração média de oito dias por área, com aplicação de um questionário não-estruturado baseado em um roteiro previamente desenvolvido. Com a metodologia “bola de neve”, os entrevistados iniciais indicavam novos entrevistados, criando uma rede de agentes envolvidos na pesquisa.
 
Das 55 comunidades visitadas, 22 realizam a caça de jacarés, mas apenas três realizam a caça para consumo da carne. A obtenção e fornecimento de iscas para piracatinga é o principal motivo para a caça de jacarés em 21 das comunidades. O comércio para uso de iscas ocorre em 18,2% das comunidades e tabelas de preço definidas ocorrem em 50% destas, nos setores Ingá e Horizonte. A comunidade do setor Horizonte atribui valor aos jacarés por comprimento, independente da espécie, com preços entre R$ 10,00, para jacarés de 1,5 m, e R$ 80,00 para jacarés de 4 m. 
 
Os valores apresentam aumentos de até 50% durante a enchente e cheia, quando a captura dos animais torna-se mais difícil. Segundo os pesquisadores, os crocodilianos são de grande importância ecológica, como predadores de topo de cadeia e tem também um potencial econômico para carne e pele. O jacaré-açu (Melanosuchus niger) e o jacaretinga (Caiman crocodilus) são espécies amazônicas de crocodilianos que foram intensamente caçadas no passado para o comércio ilegal. Estas espécies continuam a sofrer caça ilegal na região do médio rio Solimões, no estado do Amazonas, sobretudo para utilização como isca para a pesca da piracatinga (Calophysus macropterus). 
 
A pesquisa sobre uso de jacarés como iscas de piracatingas integra um conjunto de ações do Instituto Mamirauá para entender a problemática da pesca dessa espécie, que, na por vezes, é uma atividade predatória. Dessa forma, os resultados vão permitir o fortalecimento de critérios técnicos para a implementação de um sistema local de manejo legal de jacarés na Reserva Mamirauá.
 

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