Pesquisa do Instituto Mamirauá descreve materiais e técnicas de pesca da região do Médio Solimões

Publicado em: 19 de setembro de 2016

Uma pesquisa do Instituto Mamirauá busca registrar as técnicas utilizadas por pescadores da região do Médio Solimões, por meio da caracterização dos materiais utilizados para a atividade. Para isso, foram descritos os apetrechos de pesca do acervo etnológico do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Rônisson Oliveira, bolsista de pesquisa do Instituto Mamirauá, afirma que a análise dos objetos contribui para o conhecimento sobre a utilização do ambiente. “O uso desses materiais demonstra o a forma como as pessoas usam os recursos naturais, como é trabalhado aquele espaço, a partir daqueles objetos. Acreditamos que está tudo muito conectado: as ações, a pesca e as formas de manejo de recursos naturais”.

O acervo possui atualmente onze apetrechos de pesca que foram coletados na Reserva Amanã e no município de Maraã. Rônisson explica que, antes de chegarem à coleção do Instituto Mamirauá, é feito um acompanhamento em campo para registrar as informações do apetrecho com o pescador, como material que é feito, qual o uso, como foi feito, entre outras. Além disso, o pesquisador acompanha a atividade de pesca para descrição das técnicas utilizadas com o material. “É a manutenção de uma tradição e de uma forma de uso desses espaços. Embora adentrem várias outras tecnologias de pesca, esses apetrechos tradicionais ainda se mantêm. Acredito que o pescador ainda é muito habituado e esses são os objetos que ele aprendeu a lidar e a usar. E as técnicas que ele tem estão envoltas a esses objetos”, contou o pesquisador.

Depois que chegam no acervo, as peças são classificadas com base em uma comparação com a descrição regional feita pelos pescadores e a descrição da mesma peça no Dicionário de Artesanato Indígena de Berta Ribeiro. Após a classificação, é realizada a descrição do significado do material, com base no trabalho de campo e em bibliografia sobre o tema. “Com o acervo, a gente consegue demonstrar um pouco dessa cultura material, o que existe, o que essas pessoas estão usando. O acervo é importante porque é uma forma de trazer a público essas informações.  As coleções existem para serem expostas e apresentarem um pouco sobre a cultura material, no caso, do médio Solimões referentes à pesca”, disse Rônisson.

Entre as peças que compõem a coleção estão arpão, zagaia e arco e flecha que, de acordo com o pesquisador, são comumente utilizadas na região. “A gente acredita que tem um processo histórico que vai passando por essas populações. As peças vão ganhando algumas adaptações, algumas novas formas, mas tem um caráter histórico de uso desses materiais que passa pelas sociedades indígenas e pelas sociedades caboclas”, reforçou Rônisson. A pesquisa continua com a coleta de material e informações com pescadores de comunidades do Setor Coraci, área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã.

Esse projeto conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para o pagamento de bolsas de estudo.

Texto: Amanda Lelis

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