Pesquisa busca identificar características comportamentais em peixe ornamental da Amazônia

Publicado em:  7 de março de 2016

Para traçar estratégias de conservação de uma espécie é importante ter conhecimento sobre seus aspectos biológicos. Quando essa espécie tem apelo comercial, esse esforço é ainda mais importante, levando em conta sua possível exploração indevida. Uma pesquisa realizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (AM) busca desvendar características do comportamento agressivo do acará boari, peixe que ocorre na região e que possui apelo no mercado de peixes ornamentais.

A pesquisa, realizada em parceria com o Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, é o projeto de mestrado de Carolina Sarmento na Universidade Federal do Pará, em convênio com o Museu Paraense Emílio Goeldi e com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A pesquisadora destaca que o objetivo é “investigar o comportamento agressivo de indivíduos adultos em diferentes momentos do ciclo reprodutivo da espécie”.

De acordo com Carolina, o acará boari, como são conhecidos popularmente os peixes da espécie Mesonauta insignis, é um animal de importância econômica na região por ser usado como ornamental.  “O mercado ornamental é bem forte na Amazônia. As informações de aspectos biológicos são importantes para melhoria e adequação de práticas de manejo”, reforçou a pesquisadora. Carolina destacou também que, por meio do comportamento animal, podem ser identificadas possíveis alterações ambientais.

“Hoje, com os Planos de manejo, importante documento de planejamento, em algumas áreas da Amazônia, podemos conservar esse recurso e promover uma fonte de renda ao pescador”, reforçou Danielle Pedrociane, pesquisadora do Instituto Mamirauá.

De acordo com a pesquisadora do Instituto, já foi publicado um estudo sobre aspectos reprodutivos da espécie pela instituição. “Também estão em andamento estudos de alimentação e de crescimento. Com essas informações saberemos muito sobre o ciclo de vida da espécie na água branca”, completou.

Metodologia

Para a pesquisa, estão sendo analisados indivíduos de lagos da Reserva Mamirauá, localizados próximo ao município de Tefé (AM). Os animais são capturados em diferentes momentos do ciclo reprodutivo e observados em laboratório.

“Vamos fazer uma descrição do comportamento agressivo dessa espécie. Para isso, iremos formar grupos de 15 a 20 indivíduos em aquários de vidro e registrar com câmera filmadora, para que a nossa presença não interfira no resultado. A partir disso, vamos caracterizar os comportamentos, descrevendo como ameaça, ataque, fuga ou perseguição, por exemplo”, disse Carolina.

Logo após a captura, os animais são colocados em caixas d’agua por um período inicial de três dias para adaptação, depois da etapa de descrição do comportamento agressivo, os animais são isolados por 24h, um em cada aquário, e colocados em pares em aquários neutros em seguida.  Nesse momento, o comportamento dos animais é registrado em vídeo por 15 minutos, posteriormente, os vídeos são analisados pela equipe por meio  da descrição do comportamento agressivo feita anteriormente. “Depois disso, fazemos a sexagem, para saber se é macho ou fêmea. E assim poder ver também se o gênero tem efeito no comportamento agressivo exibido, por exemplo se os machos são mais agressivos e realizam mais exibições e ameaças ou as fêmeas mais ataques”, afirmou Carolina.

O trabalho é realizado com foco em dois períodos: durante o pico da estação reprodutiva da espécie, entre outubro e março, e fora dela, entre abril e setembro. “Acredita-se que o peixe vai apresentar comportamento agressivo intenso durante o pico da estação reprodutiva. Os ciclídeos são conhecidos por apresentar uma organização social baseada em hierarquia de dominância, então a agressividade é bem presente nessa família”, ressaltou a pesquisadora. Atualmente, a equipe realiza experimentos que servirão de piloto para a pesquisa.  

Texto: Amanda Lelis

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