Pesquisa avalia relevância dos estudos do componente de ecologia florestal no Projeto BioREC

Publicado em:  8 de julho de 2014

As florestas de várzea são essenciais para a manutenção da qualidade dos ecossistemas aquáticos de toda bacia amazônica: suas árvores favorecem a deposição de sedimentos suspensos na água e preservam as margens dos principais rios amazônicos contra a erosão lateral, além de serem fontes de alimentos para muitas espécies de peixes de consumo humano. E mais: muitos dos recursos que essas matas oferecem compõem a base das diversas atividades das populações ribeirinhas. Apresenta-se constantemente o desafio de promover e viabilizar a conservação das florestas, resguardando seu papel na manutenção das chuvas, da saúde dos rios, da biodiversidade e, ao mesmo tempo, fomentar o desenvolvimento econômico e social local. 
 
Neste contexto, pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Ecologia Florestal do Instituto Mamirauá irão desenvolver o “Projeto BioREC: a relevância dos estudos do componente de ecologia florestal”. O Projeto Participação e Sustentabilidade: o uso adequado da Biodiversidade e a Redução das Emissões de Carbono nas florestas da Amazônia Central, conhecido como Projeto BioREC, em seu componente Ecologia Florestal, estabeleceu como metas gerar informações sobre o estoque atual e potencial de sequestro de carbono, assim como sobre a recomposição de áreas degradadas com espécies nativas das áreas de várzea. Com a atividade de recomposição de espécies em áreas de capoeira abandonadas ou em clareiras abertas naturalmente ou pela atividade de exploração madeireira, pode-se acelerar o processo de sucessão natural e garantir a manutenção da diversidade dos recursos explorados. Será possível avaliar também o potencial de algumas espécies de interesse em sequestrar carbono ao longo do seu crescimento e sua capacidade de estabelecimento e crescimento em áreas degradadas com diferentes condições físicas. 
 
A instalação de parcelas botânicas permanentes, com inventários florestais contínuos, fornecerá serviços continuados de longo prazo que permitirão produzir uma estimativa eficaz dos estoques de carbono que pode ser utilizada como ferramentas para o mapeamento desses estoques em escala regional. Para o cumprimento dessas metas, até o momento foram realizadas coletas de cerca de 10.000 sementes de seis espécies arbóreas (Calycophyllum spruceanum, Campisiandra comosa, Eschweilera albiflora, Eschweilera ovalifolia, Piranhea trifoliata, Virola surinamensis) pertencentes a diferentes estágios sucessionais das várzeas, que serão utilizadas para produção de mudas da atividade de recomposição florestal. Espera-se, com uma germinação mínima de 30% por espécie, a produção de mais de 3.000 mudas em 2014. Além disso, foram estabelecidas nove parcelas botânicas, que totalizaram 20,65 hectares e um total de 4.900 indivíduos marcados, cuja identificação botânica encontra-se em processo. Segundo os pesquisadores, “os resultados apresentados são preliminares, mas significativos para que o componente de pesquisa e monitoramento gere informações científicas que permitirão monitorar o cumprimento das metas de redução do desmatamento, mitigação dos efeitos de mudanças climáticas, além do planejamento por parte das comunidades para as atividades de manejo de recursos florestais”.
 
 
 

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