Pesquisa avalia como os conhecimentos sobre a produção de objetos artesanais estão sendo repassados entre gerações

Publicado em: 10 de julho de 2012

10/07/2012 – O Instituto Mamirauá inicia amanhã, dia 11, o 9º Seminário Anual de Pesquisa (SAP). Nesta edição, a pesquisadora Marília Sousa, do Grupo de Pesquisa em Organização Social e Manejo Participativo do Instituto Mamirauá, apresenta parte da sua dissertação de mestrado em Antropologia Social sobre cultura material ribeirinha no contexto da produção de objetos artesanais. O estudo focaliza os saberes e modos de fazer objetos artesanais nas comunidades de Belo Monte, São José do Urini e Sítio Cachimbo, situadas na RDS Amanã, região do Rio Urini, Setor Amanã. O elenco de objetos produzidos, as redes locais de saberes e as estratégias produtivas constituídas no âmbito da produção de artefatos domésticos e artesanatos, compõe o foco analítico da pesquisa.
O trabalho etnográfico privilegiou metodologias qualitativas, com ênfase na observação participante e centrou o olhar nas relações que estão presentes no processo técnico produtivo.  Foram realizadas entrevistas com artesãos e comerciantes locais e registros fotográficos para compor um documento iconográfico representativo da cultura material local. A partir deste trabalho, 51 tipos de artefatos domésticos e 23 artesanatos decorativos foram identificados, confeccionados por 53 artesãos (35 mulheres e 20 homens).
Segundo Marília, “ao analisar as técnicas tradicionais de produção e os conhecimentos associados à prática de um “saber fazer” objetos artesanais como paneiros, peneiras, remos, canoas, balaios, tupés, vassouras entre outros, identifiquei que o processo de produção e circulação dos objetos é realizado por meio de estratégias produtivas que envolvem diferentes agentes sociais ligados por redes locais de cooperação baseadas em laços de parentesco, compadrio e amizade”, afirmou. Uma das estratégias de produção consiste no “trabalho de meia” que é conduzido por meio de um acordo prescrito pela divisão de tarefas entre o “artesão produtor” e o “fornecedor de matéria-prima”.
São “contratos informais” de trabalho regido por meio das relações de “ajuda mútua” que se constitui como um dos pilares da atividade. Este arranjo produtivo estabelece uma dinâmica peculiar à produção, tanto para possibilitar o acesso aos recursos naturais utilizados na confecção dos objetos, como para garantir a produção e a circulação dos objetos artesanais para uso doméstico e para venda. “O ensino-aprendizagem acontece por meio de diferentes modalidades que se complementam e, consiste num componente fundamental da reprodução social dos saberes entre gerações. É neste sentido que a atividade está fundada por uma troca de saberes em permanente transformação”, concluiu a pesquisadora.

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