Pesquisa aponta principais ameaças humanas aos botos da região costeira do Amapá

Publicado em: 12 de julho de 2014

Com o objetivo de identificar as pressões antrópicas, ou seja, ações humanas que oferecem ameaça sobre os cetáceos na costa do Amapá, e com base no próprio conhecimento humano local, pesquisadoras realizaram, dos anos de 2008 a 2014, entrevistas com 580 moradores da região. Aplicando questionários semiestruturados com questões sobre ocorrência e eventos de mortalidade de botos na região, o grupo chegou à identificação de três espécies de cetáceos: o boto-vermelho, o tucuxi e o boto-cinza. Animais mortos foram reportados por 244 entrevistados. O arquipélago do Bailique e o município de Amapá são as regiões onde os reportes de mortalidade foram mais frequentes. 
 
Identificação das ameaças
 
Quanto à identificação das circunstâncias dos eventos de mortalidades, as citações frequentemente apontaram as redes de pesca (38%) de caráter acidental e mortes por arma de fogo (7%) ocasionadas por pescadores; além de uma citação de mortalidade por arpão. Pescadores locais mencionaram que os barcos de pesca, provenientes do Pará, utilizam redes de pesca potentes, chamadas de douradeiras, que favorecem o emalhe acidental de cetáceos. Segundo um entrevistado, até 21 botos-cinza já se emalharam acidentalmente nesse tipo de artefato pesqueiro. 
 
Outros motivos também foram relatados, embora em menor frequência, tais como o uso de cetáceos como isca para a captura de jacaré e peixes de interesse comercial (2%), bem como para fins medicinais, como gordura para doenças respiratórias (2%). A questão que apresentou um número elevado de respostas foi daqueles entrevistados que não sabiam ou não identificaram (50%) a causa da morte do cetáceo observado flutuando em corpos d’água. O estudo também identificou um número elevado de entrevistados da Reserva Biológica do lago Piratuba que informaram que o aparecimento de botos-vermelhos mortos é comum devido a conflitos com a pesca. A região do Bailique e município de Amapá foram as regiões onde tivemos informações significativas sobre ameaças a cetáceos, justificado pelas pesquisas direcionadas a estas áreas.
 
“Diante desses resultados, julgam-se necessárias a continuidade e ampliação de estudos desta natureza na região, para que seja feito um monitoramento e quantificação dessas ameaças”, apontam as pesquisadoras Daiane Almeida Barbosa, Danielle Lima, Miriam Marmontel, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, dentro do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos, e Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá, Laboratório de Mastozoologia.
 

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