Parceria entre Instituto Mamirauá e ICMBio vai produzir inventário da fauna em seis áreas protegidas no Amazonas

Publicado em:  5 de março de 2015

Depois de dez dias de atividades em campo, os pesquisadores do Instituto Mamirauá retornam de uma expedição realizada na região do Rio Jutaí, oeste do estado do Amazonas. O objetivo é realizar o levantamento da biodiversidade na Reserva Extrativista Rio Jutaí e na Estação Ecológica de Jutaí-Solimões. O trabalho compreende a realização de um inventário da fauna da região e também um trabalho com as populações humanas, no caso da Reserva extrativista. Entre as atividades, está sendo feito levantamento socioeconômico das comunidades.

As pesquisas foram iniciadas no ano de 2014, a partir de uma demanda do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além dessas duas Unidades de Conservação, a parceria entre o Instituto Mamirauá e o ICMBio também vai viabilizar a realização do inventário da biodiversidade da fauna em outras quatro áreas da região do Médio Solimões: Reservas Extrativistas do Baixo Juruá e Auati-Paraná, Estação Ecológica Juami-Japurá e Área de Relevante Interesse Ecológico Javari Buriti.

“É um trabalho completo, no sentido de envolver uma diversidade de grupos de seres vivos, e uma diversidade de abordagens, incluindo a parte social, que o instituto já tem um Know-how com esse tipo de trabalho. O potencial da área é grande, e o trabalho tende a contribuir bastante para o entendimento desse cenário”, afirmou Felipe Ennes, pesquisador do Instituto Mamirauá.

Essa é a quarta expedição feita para essa região. Já foram iniciadas as pesquisas sociais e o levantamento da biodiversidade de peixes, aves, primatas, quirópteros, répteis e anfíbios. Marcelo Vieira, gestor da Reserva Extrativista pelo ICMBio, reforçou a importância da parceria para subsidiar as atividades de manejo dos recursos naturais pelas comunidades: “Por ser uma Reserva Extrativista, a população precisa desses recursos. Ainda temos pouco conhecimento sobre essa região. O relatório faunístico é importante pois é o primeiro passo para qualquer ação em relação ao manejo”, afirmou.

A Resex do Rio Jutaí foi criada em 2002 e possui a área de cerca de 275.500 hectares. Enquanto a Esec de Jutaí-Solimões possui mais de 30 anos de criação (1983), e compreende a área de cerca de 289.500 hectares. Embora sejam Unidades de Conservação criadas há bastante tempo, ricas em biodiversidade e consideradas áreas de relevante importância ecológica pela Unesco, ainda há pouco conhecimento científico sobre a região.

O plano de trabalho acordado entre o Instituto Mamirauá e o ICMBio reforça que a realização de um levantamento sobre as espécies que ocorrem na região é imprescindível para traçar os próximos passos em relação às possíveis estratégias de conservação. “A parceria entre o Instituto Mamirauá e o ICMBio de Tefé aumentará a produção e publicação do conhecimento científico sobre a biodiversidade e populações humanas locais, o que auxiliará em bases fundamentais para sua conservação e manejo sustentável”, aponta o documento.

A proposta é que as pesquisas sejam realizadas até o ano de 2017, compreendendo as seis Unidades de Conservação. Desde o início dos trabalhos, os pesquisadores visitaram as áreas para realizar entrevistas com as populações locais. No caso das pesquisas com foco na fauna, o depoimento dos comunitários contribui para se ter ideia da diversidade de espécies. Além das entrevistas, também tem sido realizado trabalho de busca ativa, percorrendo as trilhas, igapós e rios, e coleta de espécies observadas. “Queremos saber o panorama da diversidade de espécies da região. A gente tem muita dúvida com relação à taxonomia, classificação e identificação das espécies daqui. Estamos dando o primeiro passo, entendendo quais animais ocorrem nessa área, trabalhando na identificação dos animais e distribuição desses grupos”, contou Felipe Ennes. 

Texto: Amanda Lelis

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