Para estimar a população de botos e tucuxis na América do Sul, pesquisadores percorrem rio no Amazonas

Publicado em: 17 de dezembro de 2013

O Instituto Mamirauá realizou, de 3 a 12 dezembro, a primeira expedição para estimativa da abundância de botos no lago e rio Tefé, um afluente do rio Solimões, no estado do Amazonas. A expedição científica é parte de um esforço de colaboração entre a instituição brasileira e a Fundação Omacha, da Colômbia, com o objetivo de avaliar e monitorar as populações de boto vermelho e tucuxi na América do Sul, nas bacias dos rios Amazonas e Orinoco.
 
“A ideia é obter estimativas populacionais de golfinhos amazônicos (boto vermelho (Inia geoffrensis) e tucuxi (Sotalia fluviatilis)) na Amazônia. Com esses dados, nós poderemos comparar a densidade populacional entre as áreas amostradas, pois até recentemente pouco se sabia sobre essas estimativas. Em alguns anos, vamos poder dizer se a população desses animais está aumentando ou diminuindo e propor estratégias para a conservação em áreas prioritárias”, disse a bióloga PhD. Catarina Gomez, da Fundação Omacha.
 
Segundo Heloíse Pavanato, pesquisadora do Instituto Mamirauá, a equipe percorreu aproximadamente 900 quilômetros, a bordo de um barco regional. “Nós avistamos cerca de 400 grupos, entre boto vermelho e tucuxi. Resultados parciais indicam que na região do rio e lago Tefé há mais boto vermelho”, informou a pesquisadora.
 
Os 12 pesquisadores dividiam-se em grupos para avistar os animais. Observadores ficavam na parte da frente e outros na parte de trás do barco, registrando os dados de avistagem em uma planilha com horário, coordenadas geográficas, distância (da embarcação para o animal), tamanho do grupo e condições ambientais. Ao longo dos nove dias de duração da expedição, o esforço diário de avistagem foi de cerca 12 horas.
 
Agora os dados serão analisados, conforme o método utilizado nas expedições anteriores, que incluem embarques realizados também na Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, conforme explicou Heloise: “Vamos obter a densidade populacional das duas espécies, então teremos o número de animais por quilômetro quadrado. É esse resultado que nós queremos”.
 
A expedição contou com a participação de pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora, Universidade Federal do Maranhão, Universidade Estadual do Maranhão, Instituto de pesquisas do Amapá e Fundação Mamíferos Aquáticos. Em 2012, o Instituto Mamirauá e a Fundação Omacha realizaram a mesma expedição no Rio Purus, com membros da Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), Instituto Piagaçu Purus e colaboradores do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos do Instituto Mamirauá dos estados do Amapá, Maranhão e Piauí.
 
 
Texto: Eunice Venturi

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