Para conservar as espécies, 17 macacos-de-cheiro são capturados na Reserva Mamirauá

Publicado em: 18 de outubro de 2013

                O Instituto Mamirauá e o Grupo de Pesquisa de Biologia e Medicina de Animais Silvestres da Amazônia da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Pará capturaram, na última semana, 17 macacos-de-cheiro para coleta de amostras biológicas e avaliação do status de conservação das espécies. Oito animais da espécie macaco-de-cheiro-da-cabeça-preta (Saimiri vanzolinii) e nove da espécie macaco-de-cheiro-comum (Saimiri macrodon) foram atraídos para armadilhas e soltos novamente na floresta, após coleta de amostras biológicas e biométriacas.
                Segundo a pesquisadora do Instituto Mamirauá, Fernanda Paim, é a segunda expedição de captura de macacos-de-cheiro em uma floresta alagada da Amazônia: “As duas capturas foram realizadas em duas áreas de ocorrência de Saimiri vanzolinii, espécie endêmica da Reserva Mamirauá. A diferença é que na captura realizada em 2012 há ocorrência de Saimiri sciureus cassiquiarensis, enquanto na área da captura de 2013 há ocorrência de Saimiri macrodon. Nas duas áreas há simpatria (área de uso comum entre diferentes espécies). Dessa forma, poderemos analisar se há hibridismo entre os macacos-de-cheiro”. Confira no infográfico abaixo, as áreas de estudos com macacos-de-cheiro na Reserva Mamirauá.
                Além disso, os dados serão utilizados para a criação de estratégias de conservação das espécies, especialmente de S. vanzolinii, atualmente listado pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) como vulnerável à extinção. “Há risco de perda de habitat e redução da distribuição geográfica desta espécie. Pesquisadores acreditam que as mudanças climáticas globais podem estar causando essas alterações”, analisou Fernanda.
                Desde agosto, diariamente iscas de banana foram colocadas dentro das gaiolas, nas plataformas que ficavam na copa das árvores, a aproximadamente 10 metros de altura do chão. Esse período de ceva durou cerca de três meses e os animais foram naturalmente frequentando as armadilhas. Armadilhas fotográficas foram instaladas para registrar a presença dos macacos nas gaiolas e avaliar o sucesso da ceva.
 
 
 
                Durante a captura, a equipe percorria as 18 plataformas, duas vezes por dia, para verificar se os primatas já haviam sido capturados. Ao avistar os animais nas armadilhas, a gaiola era conduzida até o chão, e o espécime anestesiado. O primeiro passo era uma avaliação clínica, seguida de coleta de dados biométricos, coleta de sangue e sêmen e implantação de um microchip. “O microchip tem o objetivo de marcar o animal e identificá-lo no caso de uma recaptura”, explicou Fernanda.
                “As análises do sêmen de macaco-de-cheiro coletadas em 2012 indicam um percentual de manutenção dos parâmetros espermáticos de quase 100% após a criopreservação. Os resultados obtidos são satisfatórios para a realização da técnica de fecundação in vitro, mas não seriam suficientes para reprodução nas fêmeas, como a inseminação artificial. Por isso, novos protocolos estão sendo testados visando melhorar o percentual de espermatozoides móveis após a descongelação”, disse Danuza Leão, veterinária do Grupo de Pesquisa de Biologia e Medicina de Animais Silvestres da Amazônia da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Pará.
 
Série capturas científicas
A reportagem "Para conservar as espécies, 17 macacos-de-cheiro são capturados na Reserva Mamirauá" faz parte de uma série especial que o Instituto Mamirauá divulga a partir de hoje. Não perca, nas próximas semanas, outras matérias sobre as capturas científicas promovidas pelo Instituto Mamirauá, na Amazônia. 

 
Texto: Eunice Venturi
 

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