Os serviços ambientais de animais na Amazônia foram um dos destaques da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2018

Publicado em: 19 de outubro de 2018

Evento realizado no Instituto Mamirauá reuniu mais de 3000 pessoas em três dias de programação na cidade de Tefé, no Amazonas

Cada animal tem um serviço na natureza. A ligeira cutia, por exemplo, trabalha como uma agricultora, quando enterra frutos como os da castanha, semeando a floresta. Já o macaco guariba é uma espécie de médico, alertando os outros bichos e também a nós humanos da presença de doenças, como a febre amarela. Os serviços ecossistêmicos, apresentados por meio de metáforas como essas acima, foram um dos destaques na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2018 do Instituto Mamirauá.

Realizada na sede do instituto em Tefé, no Amazonas, o evento teve como tema central “Ciência para a Redução das Desigualdades”. No pavilhão central de exposições, o público visitante foi recebido com uma grande faixa escrita “O Trabalho dos Bichos”

“Nós adaptamos o tema da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia à exposição de animais, mamíferos em especial”, explica a pesquisadora do Instituto Mamirauá, Lísley Lemos. “O caminho para isso foram os serviços ecossistêmicos que eles prestam e aí para o público entender a gente chamou de O Trabalho dos Bichos”.

“A queixada (ou porco-do-mato) é um animal que modifica a estrutura da floresta, porque ele é seletivo para alguns itens alimentares a ainda revolve o solo. Áreas que têm queixadas costumam ser mais saudáveis, tem uma maior taxa de regeneração que outras, por isso a gente chamou ele o engenheiro da floresta”, exemplifica a pesquisadora.

Os participantes dessa edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia também foram convidados a percorrer uma trilha na mata: dentro de um dos prédios de pesquisa do Instituto Mamirauá, foi montada uma simulação de floresta, mostrando um trecho conservado e saudável e outro que sofreu impactos negativos de ações humanas.

“Com a trilha, ressaltamos também os serviços ecossistêmicos prestados pela floresta como um todo. Dentro da trilha da floresta saudável, tratamos dos serviços gerais de manutenção do clima, de fornecimento de água, de ar puro e também contrastamos isso com o ambiente degradado, mostrando que sem floresta a gente deixa de ter esses serviços e que nossos impactos ocasionam, por exemplo, em gastos econômicos, aumentando as desigualdades”, fala Lísley.

Valquíria Monteiro trouxe as três filhas para conhecer o Instituto Mamirauá e participar da programação. Para ela, é essencial ensinar às crianças o respeito pela natureza. “A gente sabe que as coisas estão se acabando, não precisa ser biólogo para perceber isso. Então eu incentivo elas a ter o contato com a natureza e conhecer os animais”, conta.

Entre os dias 17 e 19 de setembro, o Instituto Mamirauá recebeu mais de 3000 pessoas na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2018. O evento, organizado nacionalmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), tem como objetivo aproximar a população da ciência feita no Brasil.

Texto: João Cunha

 

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