Oficina no Instituto Mamirauá defende atendimento de saúde plural e humanizado a jovens e adolescentes

Publicado em:  5 de junho de 2018

Evento reuniu profissionais de Tefé e municípios amazonenses vizinhos e foi conduzido pelo Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente (NESA) da UERJ

O cuidado à saúde, longe de ter respostas simples e localizadas, deve integrar diferentes saberes e ser sensível ao contexto cultural de cada pessoa atentida. Essa é uma das abordagens da oficina “Interculturalidade, direitos humanos e gênero para atenção à saúde de adolescentes e jovens”, que aconteceu nos dias 4 e 5 de junho na sede do Instituto Mamirauá, em Tefé. Oferecida pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), o evento foi dedicado a profissionais de saúde, educação e de outras áreas envolvidas com o atendimento infanto-juvenil nessa região da Amazônia.

“A oficina apresenta uma metodologia através da qual profissionais possam, de uma forma mais rápida e eficaz, identificar situações problemas que envolvam a vida daquele jovem e adolescente, e buscar resoluções”, afirma Zilah Meirelles, assistente social membro do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente (NESA) da UERJ e uma das organizadoras da oficina. “É muito interessante buscar a visão interdisciplinar, porque muitas das vezes, quando você busca uma resposta conjunta, ela é mais adequada em termos de solução. Fazer junto é muito importante”.

A diversidade de olhares se traduziu no público do evento, formado por professores, pedagogos, assistentes sociais e membros de órgãos de saúde de Tefé e municípios amazonenses vizinhos.

Pessoas como Fabiana Mota. Professora da rede de ensino básico em Tefé e parte de um projeto de assistência à dependentes químicos na cidade, ela diz que “a oficina foi muito proveitosa, me deu vários caminhos que vão me ajudar no meu trabalho, tanto na escola, quanto no grupo de dependentes químicos, porque também é um olhar clínico que a gente faz com eles”.

A mobilização foi feita pelo Programa Qualidade de Vida (PQV) do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). “O Instituto Mamirauá fez o convite para representantes e secretarias de saúde, educação e assistência das cidades da região e a oficina foi um grande momento de troca”, fala Maria Mercês Bezerra, técnica do PQV.

Visão ampla

O material base da oficina foi a cartilha “Interculturalidade, direitos humanos e gênero para atenção à saúde de adolescentes e jovens”, criada e lançada pelo NESA/UERJ. A ideia foi testar e adaptar conhecimentos reunidos na publicação à realidade amazônica local, conforme explica uma das autoras da cartilha, a médica e doutora em Saúde Pública, Maria Helena Ruzany.

“Tivemos participantes ligados à educação, à rede básica de saúde, um grupo bem diversificado, foi excelente trabalhar esse material com eles. Porque a gente fala de referências internas que correm dentro das cidades e nas comunidades ao redor, quais são os problemas encaminhados ao Conselho Tutelar, para a escola, discutir na escola como se pode abordar melhor os problemas, com base no que eles veem na região”, conta.

Ela ressalta que o método apresentado na cartilha foi criado “para mostrar a uma equipe de saúde que, no dia a dia do seu trabalho, isso tem que ser feito, identificar e refletir sobre os problemas. A nossa proposta enquanto universidade é mostrar que existe uma forma de fazer um atendimento mais integral, acolhedor e resolutivo”.

Maria Helena Ruzany é parceira do Instituto Mamirauá em projetos na Amazônia há mais de dez anos. Com base em estudos feitos nas comunidades da Reserva Mamirauá, em 2012, lançou junto com as pesquisadoras Zilah Meirelles e Edila Moura, o livro “Adolescentes e Jovens de Populações Ribeirinhas na Amazônia-Brasil”.

Durante o evento, também foi apresentada, pela psicóloga Ana Sudária Lemos, a “Agenda Proteger e Cuidar de Adolescentes” do Ministério da Saúde, que trata de diretrizes para a proteção integral ao adolescente relacionada a temas como o desenvolvimento, à saúde sexual e reprodutiva e questões de violência.

Texto: João Cunha

 

 

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