Oficina apresenta alternativas para manejo de pastagem visando criação sustentável de animais

Publicado em: 11 de março de 2016

                O Instituto Mamirauá promoveu, entre os dias 05 e 06 de março, uma oficina de manejo pecuário agroecológico, em Tefé (AM). O objetivo foi reunir pequenos pecuaristas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã e apresentar uma nova proposta para criação de gado, baseada no Pastoreio Racional Voisin (PRV). A técnica vem sendo aplicada em várias regiões do país e consiste na implementação de parcelas nas áreas de criação permitindo o rodízio dos animais entre as áreas de pastagem.

                “Quando os animais são criados soltos, da maneira extensiva convencional, retornam várias vezes ao pasto que está rebrotando para mastigá-lo. Assim, as plantas não têm tempo para descansar e são pisoteadas em excesso. Além disso, o aporte de esterco vindo do bosteamento fica disperso na pastagem, sem adubá-la, levando a um processo de degradação do campo”, disse o pesquisador Grupo de Pesquisa em Agricultura Amazônica, Biodiversidade e Manejo Sustentável do Instituto Mamirauá, Felipe Guimarães Reis, um dos responsáveis pela oficina, que é financiada pelo Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo o pesquisador, com os campos degradados, os produtores são levados a converter novas áreas de florestas nativas em novos campos de pastagem: “Nossa ideia é tentar reverter este quadro”. A oficina começou no início da manhã do sábado, com uma exposição teórica sobre a tecnologia PRV. Em seguida, o grupo conheceu o início da implantação das parcelas no Sítio Fazenda Águida, que está sendo utilizado como unidade demonstrativa. No projeto elaborado para o local com o sistema PRV, somente nove hectares serão utilizados para pastagem, mas com uma taxa de ocupação animal duas vezes maior que a anterior. “A ideia de ter uma unidade demonstrativa é para os produtores verem que dá certo”, esclareceu Felipe.


 

                Na unidade demonstrativa, foram projetadas 40 parcelas, cada uma de 2.000m². Os animais permanecem um dia em cada uma delas. Também está sendo implementado um sistema de bebedouros. “O ser humano sem água não pode viver. A mesma coisa é o boi sem pasto”, disse Rocilane de Souza Oliveira, de Tefé. A oficina agradou Miguel Silva de Freitas, pecuarista da Reserva Amanãmesma Unidade de Conservação: “Eu vou ver se consigo organizar muito mais, eu já estava focado nessa direção, mas sem ter um ensinamento. Essa aula com certeza vai trazer muito mais organização para a minha área”.

                Segundo Otacílio Brito, proprietário da fazenda, a iniciativa vai mudar a forma de criar gado na região: “Já era um desejo meu fazer a experiência lá. Mas o que contribuiu para a decisão foi o empobrecimento do solo em função da mudança no revezamento da pastagem. Agora, eu acredito que a iniciativa do Instituto Mamirauá, financiada pelo Fundo Amazônia, vai ser um divisor de águas na história da pecuária da região, já que todo mundo cria num sistema extensivo, o que leva ao empobrecimento do solo. O sistema PRV pode mudar isso, beneficiando os produtores”.

 

Texto: Eunice Venturi

 

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