“O sucesso do Mamirauá se deve às pessoas!”

Publicado em: 24 de abril de 2019

“O sucesso do Mamirauá se deve às pessoas!”. A frase é da antropóloga Ana Rita Pereira Alves, diretora geral do Instituto Mamirauá no período de 2002 a 2010. Esse reconhecimento, que vem acompanhado de muita história, foi dito para o vídeo “A Amazônia em boas mãos”, comemorativo aos 20 anos do instituto. A produção foi apresentada na noite de 23 de abril, data de fundação da instituição, durante a celebração de aniversário do instituto, e que será divulgada em breve. 

Com a presença de colaboradores, parceiros e beneficiários, a cerimônia trouxe um resgate histórico, desde a chegada do primatólogo José Márcio Ayres à região, na década de 1980, até o momento atual e perspectivas de futuro. “Um dia, alguém idealizou um sonho chamado Instituto Mamirauá e hoje estamos aqui para celebrar 20 anos de muito trabalho. Festejamos as assembleias gerais, as noites mal dormidas, os tantos dias embarcados, as reuniões comunitárias”, disse João Valsecchi do Amaral, diretor geral do Instituto Mamirauá.

A pesquisadora Ima Guimarães, do Museu Paraense Emilio Goeldi, e presidente do Conselho de Administração do Instituto Mamirauá reforçou a história da instituição, construída a partir dos ideais de José Márcio Ayres. “Nós não podemos falar de Mamirauá sem mencionar o papel importantíssimo do Márcio, um personagem muito importante na história dessa instituição. E uma das características que define o instituto é que ele [Márcio] marca um novo modelo de unidade de conservação na Amazônia – as reservas de desenvolvimento sustentável. Hoje, já são mais de 30 no Brasil”. 

No resgate histórico, Helder Lima de Queiroz, pesquisador e diretor geral no período de 2010 a 2018, relembrou de papel de vários pesquisadores para que Mamirauá se tornasse uma área protegida: “A ideia era fazer um projeto de grandes proporções unindo vários pesquisadores, de várias áreas diferentes do conhecimento, para fazer com que aquela Unidade de Conservação funcionasse como tal. Naquele momento, era essa a grande ambição desse grupo que ele [Márcio] conseguiu reunir, principalmente com pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi e com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, porque eram as duas instituições as quais ele estava vinculado”, afirmou.

Funcionários foram homenageados pelo tempo de serviço. Everson Tavares

Pesquisadores craques, disse o ministro 

Por vídeo, o Astronauta Marcos Pontes, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações falou sobre a parceria do instituto com o ministério, que também completou 20 anos. “O Instituto Mamirauá é uma das unidades vinculadas ao MCTIC e que nos dá muito orgulho. Precisamos conhecer a Amazônia, precisamos de pesquisas e eles são craques nisso. Então, parabéns a todos, muito orgulhoso por aqui”. 

Em 2001, foi assinado o primeiro contrato de gestão entre o instituto e o ministério, que desde então financia a infraestrutura do instituto, bem como a manutenção de boa parte do quadro de pessoal. Outros importantes parceiros são o Governo do Estado do Amazonas, o Fundo Amazônia, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), o CNPq e a Fundação Moore. 

Representantes das Reservas Mamirauá e Amanã também participaram da cerimônia. Ruth Martins, moradora da comunidade Boca do Mamirauá, disse: “Hoje eu quero agradecer a todos que ajudaram na implantação do início da reserva, pelo trabalho nas comunidades que até hoje acontece na reserva. É um grande orgulho ter o Instituto Mamirauá aqui na Amazônia”. 

Representando o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Marisa de Araujo Mamede, Coordenadora Geral do Programa de Pesquisa em Ciências da Terra e do Meio Ambiente, agradeceu o convite por participar do evento: “É um momento emocionante ver este trabalho de perto e que o Instituto Mamirauá possa se perpetuar por mais 200 anos”. 

20 anos, muitos profissionais

Um momento de muita emoção foi a homenagem a 22 profissionais que atuam na instituição há 20 anos, ou há mais de 20, ou próximos de completar 20 anos. Receberam a homenagem pessoas que atuam na administração, pesquisa e extensão. A técnica Oscarina Martins, que começou a trabalhar no instituto em 1999 falou em nome de todos: “É pela união, pelo trabalho coletivo de todos esses colaboradores, de antes e de agora, que a gente tem essa parceria com as comunidades. Parabéns para todos nós”. 

Michel, o embaixador

Durante o evento, a diretoria do Instituto Mamirauá anunciou a nomeação do pesquisador Dr. Michel André, do Laboratório de Aplicações Bioacústicas da Universidade Politécnica da Catalunha (UPC), na Espanha, como embaixador internacional do Instituto Mamirauá na Europa. A nomeação indica que ele agora vai atuar na busca de novas parcerias para o instituto. 

Dr. Michel tem uma história antiga com o Mamirauá. Em 2002, ele conheceu José Márcio Ayres no Japão, quando ambos foram laureados com o Prêmio Rolex de Conservação, uma honraria internacional para grandes conservacionistas. “É uma honra muito grande uma grande responsabilidade fazer parte da equipe que o Márcio criou há 20 anos”. Especialista em bioacústica, Dr. Michel é um dos integrantes do Projeto Providence, uma colaboração científica internacional que pode revolucionar a maneira de fazer conservação na região amazônica, liderada pelo Instituto Mamirauá. 

Agenda 20 anos

As comemorações dos 20 anos do Instituto Mamirauá seguirão ao longo do ano. Já confirmada será realizada uma sessão solene no Senado Federal, no dia 27 de maio, às 10h. A sessão é uma proposição do Senador do Amazonas, Eduardo Braga. Entre os dias 01 e 05 de junho, na sede do instituto, em Tefé, será realizado um seminário especial do projeto “Mamirauá: Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade em Unidades de Conservação” (BioREC). O seminário vai apresentar alguns dos resultados mais recentes do projeto, que conta com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Nas próximas semanas deve ser publicada uma edição especial do informativo institucional “O Macaqueiro”, edições complementares do vídeo “A Amazônia em boas mãos”, além da repercussão em veículos de imprensa sobre os impactos decorrentes da atuação do Instituto Mamirauá. Em julho, na Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Campo Grande (MS), o pesquisador Emiliano Ramalho apresenta a palestra “20 anos e as novas tecnologias para conservação da Amazônia”. 

Texto: Eunice Venturi

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