Nova Casa de Vegetação amplia pesquisas para recomposição florestal na Amazônia

Publicado em: 20 de maio de 2014

Construída para simular as condições ambientais naturais da várzea amazônica, a nova Casa de Vegetação do Instituto Mamirauá entrou em atividade para ampliar pesquisas em ecologia florestal. Os resultados das características observadas e as mudas produzidas no viveiro vão proporcionar informações para recomposição de espécies ameaçadas pela exploração excessiva ou com altos índices de importância ecológica.
 
A Casa de Vegetação é uma estrutura criada para proteção e acompanhamento do crescimento das plantas. Ao longo deste ano, o Grupo de pesquisa em Ecologia Florestal do Instituto Mamirauá vai desenvolver experiências e colher dados sobre a germinação das espécies para aperfeiçoar técnicas de manejo florestal, além de gerar mudas que serão usadas na recomposição florestal em áreas da Reserva Mamirauá e Amanã.
 
“Ela [a nova Casa de Vegetação] é uma estrutura feita metade de concreto e outra metade de tela sombrite. Essas telas proporcionam sombra em diferentes intensidades. Temos uma área de 50% de cobertura, isso quer dizer que metade da luz do sol do ambiente incide sobre a planta. Tem uma área que é de 80% de cobertura, então as plantas só recebem 20% de luz solar; e tem uma área que é de 30% de cobertura, logo recebem 70% da incidência de luz”, explica a doutora em ecologia e pesquisadora do Instituto Mamirauá, Auristela Conserva. 
 
As análises do crescimento das plantas permitem mapear a estratégia de germinação de cada espécie em diferentes ambientes. “A partir dessas características podemos determinar quais as melhores condições para germinação, o que podemos fazer para acelerar o processo e garantir melhor porcentagem de germinação”, explica a pesquisadora. Os resultados serão repassados para manejadores em capacitações oferecidas pela equipe de Educação Ambiental do Instituto Mamirauá.

Conheça a nova Casa de Vegetação:
 
Espécies de alta importância ecológica e úteis para o dia a dia das comunidades ribeirinhas como assacu (Hura crepitans), mulateiro (Calycophyllum spruceanum) e louro inamuí (Ocotea cymbarum) estão sendo estudadas e produzidas para recomposição florestal. Assim como árvores ameaçadas, como a ucuúba (Virola surinamensis) – que está na lista da IUCN (International Union for Conservation of Nature) e carece de dados sobre sua regeneração e estabelecimento em áreas de várzea, na literatura científica.
 
Até o momento, foram coletadas cerca de 10 mil sementes de seis espécies arbóreas: mulateiro, acapurana, matá-matá, castanheira, piranheira e ucuúba. Segundo Auristela, essas espécies pertencem a diferentes estágios sucessionais das várzeas, que serão utilizadas para produção de mudas da atividade de recomposição florestal. Espera-se, com uma germinação mínima de 30% por espécie, a produção de mais de três mil mudas em 2014.
 
As ações fazem parte do projeto “Participação e Sustentabilidade: o Uso Adequado da Biodiversidade e a Redução das Emissões de Carbono nas Florestas da Amazônia Central”, desenvolvimento pelo Instituto Mamirauá com financiamento do Fundo Amazônia.

Texto: Everson Tavares. 

 

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